Com cerca de 9.000 Km², o maior deserto tropical árido do mundo, ao contrário do que se poderia supor, apresenta uma paisagem viva e em constantes mudanças. Algumas delas ocorrem suavemente, talvez para permitirem que nossos olhos captem com maior propriedade as delicadezas destas nuanças. Já outras são bruscas e inesperadas, como o confronto de cadeias montanhosas e rochas vulcânicas com as dunas de areia.
Um espetáculo que reforça o mito das miragens causadas pela luz intensa do deserto num campo de visão que atinge até 360 graus.

Neste cenário, é possível distinguir pelo menos três tipos de superfícies no Saara: o Hammada que é o deserto rochoso; o Reg ou Serir, que são as grandes extensões de areia; e os Ergs, que são os cumes de dunas de areia moduladas pelos ventos.
Mas, embora as dunas sejam a clássica representação do Saara, estas respondem apenas por 15 a 20 % de sua paisagem.

Pôr-do sol no Saara
foto Douglas Kim

Atingindo até 200 m de altura, as dunas orientam-se de acordo com a direção dos ventos nas respectivas áreas. Quando formam o desenho de uma meia lua, são conhecidas como Barkanes: dunas baixas e móveis, formadas pelos ventos dominantes. O formato côncavo é atribuído pelo vento versante. E as grandes dunas de forma piramidal são efeito dos ventos convergentes.


Conheça o processo de formação das dunas.

 


A Rota do Sal e a expansão das caravanas

As exigências dos comércios regional e inter-regional no continente africano mostram como a vontade política dos governos pode ser eficaz quando o que está em jogo são seus próprios interesses. Seja na Rota da Seda ou na Rota do Sal muitos foram os esforços e alianças entre os governos para manter a ordem nas regiões por onde fluíam suas mercadorias.
Outro exemplo: a Muralha da China, conhecida como a grande obra de arquitetura e defesa do homem, foi durante quase 2000 anos a maior e mais importante via comercial entre Oriente e Ocidente. Sem os muros de pedra da muralha e suas torres de vigilância, as caravanas não gozariam de tamanha longevidade.

Caminhão a caminho da Líbia- Níger
foto Douglas Kim

Da mesma forma, para atravessar o continente africano, eram necessários grupos sólidos, preparados para pagar tanto por proteção quanto pela compra e venda de mercadorias. Assim eram as caravanas, que reuniam negociantes, carregadores, escravos, animais de carga e peregrinos, formando uma verdadeira sociedade política, cuja organização era apoiada em um líder. Este representava seus membros e interesses em transações com autoridades locais ao longo da rota. Em algumas regiões, este cargo era oficialmente designado. E ainda, em outras, era investido de títulos reais - o que elevava as caravanas ao status de reinos em movimento.

Assim como a seda não era a única mercadoria comercializada pela Rota da Seda, a Rota do Sal também transportava cobre, ouro e especiarias. Mas encontrava no sal do Sahara seu bem mais valioso. Porque este era considerado o melhor sal, por provir das depressões naturais do Sahara. Neste locais, os sistemas de drenagem do Período Holoceno e dos períodos úmidos anteriores formaram lagos interiores, que secaram aos poucos, deixando profundos depósitos salinos para serem explorados em minas a céu aberto. As caravanas também eram conhecidas como Méharées e perseguiam a trilha dos oásis. Hoje, as caravanas de turismo ganham o mesmo nome e resgatam esses itinerários à sombra dos velhos oásis.

 

Depósito natural de sal, Níger

 


 

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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