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De acordo
com uma antiga lenda, Allah, desgostoso com os homens, em
um momento de cólera, decide um dia de puni-los. Faz
então cair sobre a face da Terra um minúsculo
grão de areia para cada um dos pecados humanos. E onde
outrora existiam florestas e savanas repletas de animais nasceu
o Saara - o maior deserto do mundo, com seus belíssimos
oásis.
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Pôr-do-sol
no Saara
foto
Douglas Kim
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Apesar
da lenda, não há nada mais equivocado que
considerar um oásis como fruto da natureza ou obra
do acaso. Ao contrário, sua formação
pode ser comparada a de uma única planta que, mesmo
em condições adversas, produz com sua sombra
a umidade que a ela própria abastece, criando um
nicho biológico no qual se nutrem outros organismo.
Mas, se abandonada, uma planta morre. E é ai que
a intervenção humana é relevante
e definitiva.
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Os oásis são, de fato, o resultado de um trabalho
árduo dos homens do deserto, uma obra de inteligência
e vigilância - segundo técnicas muito antigas,
que revelam um profundo conhecimento desse ecossistema.
Por isso, são diferentes um dos outros: seja por sua
história, pelos costumes dos povos que os mantém,
por suas posições geográficas ou recursos
hídricos. E, entre eles, o oásis de Tímia,
no Niger, destaca-se como verdadeiro jardim do paraíso
- com o qual nos deliciamos em nosso trajeto.
A
construção de um oásis.
No percurso
da Rota da Seda ,
é possível observar, no deserto de Gobi, o aproveitamento
das águas nivais da cadeias de montanhas ao derredor
(as Montanhas Celestiais), recolhidas através de uma
sucessão de canais subterrâneos (karez). Já
no Saara, entre outros métodos introduzidos, está
a seleção das espécies de vegetais corretas.
É o caso do largo plantio de tamareiras, que têm
a primazia tanto pelo aproveitamento das sombras de suas palmas
para o plantio de outros vegetais quanto para o controle do
avanço das dunas.
O processo de plantio artificial do palmeiral das tamareiras
consiste na separação da parte masculina, que
deve permanecer imersa na água durante 20 dias. Após
esse período, faz-se a polimização nas
partes femininas. Essas técnicas foram disseminadas
por toda a extensão do Saara: seja pelos comerciantes
nas caravanas; seja por sua representação em
pinturas rupestres.
Devido
à dimensão e hostilidade do território
saariano, a formação de assentamentos permanentes
tornou-se inviável. Daí a importância
da construção de pontos estratégicos
para obtenção de água e alimentos,
para manutenção das caravanas. Muitas vezes,
alguns pontos tidos como inacessíveis foram incorporados
às rotas das caravanas, garantindo o reabastecimento
de água e alimentos. Este processo explica a série
de oásis que constelam o espaço sahariano.
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Habitação
nômade entre os tubus - Saara Central
foto
Douglas Kim
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