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"A
África é um continente maciço. As linhas
de seu contorno são simples e precisas desenhando um
litoral sem grandes reentrâncias ou saliências.
Na concisão da Costa Africana há uma aspiração
de simplicidade e repouso. Algumas ilhas acompanham o traço
nítido deste contorno ou dele se distanciam: os arquipélagos
da Madeira, das Canárias e do cabo Verde, as Seychelles,
Máfia, Zanzibar, Pemba, Socotorá e, a maior
de todas, quase um continente, Madagascar.
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Guelta de Archei - Tchad
foto
Douglas Kim
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Pouco
acima do Equador, as massas dispõem-se ao longo
dos paralelos, enquanto,
para baixo, se arrumam na direção dos
meridianos - o que dá à África
uma conformação equilibrada, pois avançam
em sentidos distintos dois grandes blocos de superfície
semelhante.
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Mas
não é esta a divisão que mais importa
no antigo continente de Gonduana, do qual se desprenderam,
segundo Wegener, a península Arábica, a Índia,
a Austrália e o Brasil.
O que realmente faz da África duas Áfricas é
o enorme deserto, a estender-se do Atlântico ao mar
Vermelho. É ele que determina no continente duas realidades:
a mediterrânica e a subsaariana. O limite entre elas
tem sido traçado a 22º de latitude norte, linha
que atravessa a zona mais nua e inóspita do deserto.
A
impressão de mole compacta confirma-se, ao olhar-se
o interior desse grande continente (30.259.752km2). É
quase todo ele um escudo antigo e estável, um bloco
planáltico coeso, só perturbado pelas extensas
falhas tectônicas a cortá-lo de sul a norte,
para os lados do Índico. Essas fraturas prolongam-se
desde o lago Maláui até o mar Morto, passando
pela Etiópia e pelo rio Jordão. As linhas da
falha ocidental podem ser acompanhadas pela série de
lagos compridos e profundos que começa no Maláui
e termina no Alberto (Mobutu ou Onekbonyo). A oriental, menos
nítida e mais acidentada, descreve uma curva aberta,
entre o meio do Malaui e o Turcana. Entre as duas linhas da
fratura, está o maior lago africano, o Vitória.
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No
que diz respeito ao clima são as grandes elevações
e as falhas tectônicas da África Oriental
que introduzem as maiores exceções num
esquema de relativa simplicidade.
A forma compacta da África e seu prolongamento
desde acima do trópico de Câncer até
abaixo do trópico de Capricórnio fazem
com que seu clima se caracterize pela continentalidade
e pela tropicalidade.
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Viajante
solitário - Níger
foto
Douglas Kim
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A
África é basicamente tropical. São as
latitudes que nos informam sobre a temperatura e a pluviosidade,
podendo-se dizer que, na maior parte da África, o afastamento
da linha equatorial se traduz num abrandamento da temperatura
e no aumento da duração do período de
seca. Vai-se, praticamente numa sucessão de faixas
climáticas a se ordenarem pelos paralelos, do clima
tropical úmido ao temperado do tipo mediterrânico
no extremo sul do continente. Por outro lado, a amplitude
de temperatura e a inconstância das chuvas aumenta quando
o viajante se distância do oceano e caminha para o centro
da África.
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Subindo
as "catedrais do Ennedi", Tchad
foto
Douglas Kim
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Com
o afastamento da linha equatorial, aumenta a duração
da seca. A ausência das chuvas chega a ser de
oito a nove meses, e em alguns pontos não chove
nunca. Em outros, há permanentemente a incerteza
sobre a estação chuvosa. Quanto maior
é o tamanho do período seco, maiores são
a irregularidade e a inconstância das chuvas.
Este é o clima do sahel, palavra árabe
que significa "costa, margem, litoral". Sael
seria assim a praia do deserto.
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A
tabela
de temperaturas mostra o registro das temperaturas mínimas
e máximas nas regiões envolvidas na programação. E, naturalmente,
devem ser consideradas como parâmetros genéricos.
Conheça
mais sobre o relevo e o clima da África no trecho do
livro:
A enxada e a lança - A África antes dos portugueses,
de Alberto da Costa e Silva.
Visite também
o site www.worldclimate.com
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