O Saara é muito mais do que uma exótica aventura. Em sua imensidão, o símbolo de todos os desertos guarda vivo, o livro de nossas primeiras memórias.
Ainda hoje, seu Sal é levado por caravanas - verdadeiros reinos em movimento - sobre o lombo dos camelos, conduzidos pelos hábeis Tuaregues em direção a Bilma. Esses senhores do tempo condicionados pela luz do dia e pelo cair da noite, continuam nômades, por excelência. Porque ser nômade é um estilo de vida, cuja herança é patrimônio dos povos do deserto. Nossa viagem ao Niger
não é uma rota fácil, quando apenas tateamos as bordas do deserto. Mais que isto, é uma imersão em seu território: um estímulo à consciência profunda de outros povos e suas naturezas. Motivos para percorrer os 4.000 Km² desta
expedição? Eles surgem ao longo do trajeto, como a grande travessia do Teneré,
os mares de dunas de areia do grande erg de Bilma, a falésia de kawar, o imponente maciço vulcânico do Air ou os Oásis de Iferouane e Timia, além do passeio pela pureza e áspera beleza das riquezas do Saara. Inshala.


25 DIAS DE VIAGEM

   
1º Dia: São Paulo / Paris
Sábado à tarde, comparecimento ao Aeroporto Internacional de Guarulhos para embarque com destino a Paris.

2º Dia: Paris
Chegada a Paris pela manhã, com desembarque no Aeroporto Charles de Gaulle. Não há traslados na Capital.
A acomodação prevista é feita em um dos hotéis conveniados da Air France. Tarde livre.

3º Dia: Paris / Niamey
Pela manhã, comparecimento ao Aeroporto Charles de Gaulle para embarque com destino a Niamey. Chegada a Niamey à tarde. Recepção e traslado ao Hotel.

4º Dia: Niamey
Pela manhã, visita a capital do Niger. A despeito do "boom" econômico dos anos 70 ( produzido pela febre do urânio), Niamey, como outras capitais do Sahel, pode ser explorada em pequenas caminhadas. Ao longo da ponte Kennedy, de onde a cidade se espalha, pela manhã e nos fins de tarde, camelos e seus condutores ainda trafegam entre carros e ônibus. Entre os principais pontos de atração turística estão o Museu Nacional com um dos mais importantes acervos do Leste Africano, o Mercado Central e a Nova Mesquita.

5º Dia: Niamey / Agadez
Cedo pela manhã, partida por terra para Agadez . O percurso de 700 Km é um prenúncio da diversidade étnica e topográfica da região. Chegada e acomodação em Agadez.

6º e 7º Dias: Agadez
Dias dedicados à exploração de Agadez. Cravada no centro do tráfego transaariano, esta cidade permanece fiel aos seus dias de glória. Pelo burburinho das ruas de areia cheias de vida e som, passeiam as tradicionais indumentárias Tuaregues. É mágica no conjunto de seus elementos: a composição de seus esquemas cromáticos, o jogo de luz e sombra do "Vieux Quartier" - cidade antiga, a arquitetura das casas de barro batido em estilo sudanês, seus mercados e mercadores. E, enfim, neste cenário, a imagem mítica da Mesquita de Agadez, paira como se flutuasse por toda a cidade. Uma vivência inesquecível.

8º Dia: Agadez / Tiguidit (Air Meridional)
Cedo pela manhã, acomodada em veículos 4x 4, a expedição parte por terra na direção leste rumo à falésia de Tiguidit. Uma sinuosa formação sedimentaria, que preserva testemunhos da ocupação da área no período neolítico: inscrições rupestres e vários artefatos líticos. Ainda aos pés da falésia, apresenta-se uma série de monumentos de pedra circulares do período pré- islâmico. Embora de significado desconhecido, teorias afirmam que as mandalas de pedra seriam tumbas mortuárias ou locais de oração e adoração. Acampamento nas proximidades do oued de Bargot .

9º Dia: Árvore do Téneré / Fachi
Pela manhã seguimos viagem em direção ao Poço de Ouafagadout. No passado, este foi ponto de referência para o comercio caravaneiro e as rotas mediterrâneas que se dirigiam aos impérios de Kanem e Bornou. O local também marca a partida para as primeiras areias do Teneré. Pouco depois, atingimos o marco de metal que substituiu a árvore do Teneré, que era o único exemplo de acácia Raddiana num raio de 400 km, tendo sido abatida por um veículo em 1974. Prosseguimos então em direção a Fachi. Teneré na língua Tuareg significa "nada". A paisagem revelada é formada por fileiras de dunas, que se estendem na direção leste- oeste, dando-nos a sensação de estarmos superando um mar de ondas de areia. Ao final da
manhã, atingimos o oásis Facci, ao pé da falésia homônima. Outro marco importante na Rota do Sal, este vilarejo segue os padrões da arquitetura berbere: circundadas por muros, as casas de argila são construídas sobre um plano irregular em meio a vielas estreitas. Nos detemos no vilarejo, onde saboreamos o mercado local e entramos em contato com a população. Poucos quilômetros depois, visitamos as salinas. Ainda hoje a extração e comércio do sal sustenta numerosas famílias. E, se a época
áurea desta atividade passou, seus métodos de extração permanecem. O sal do Saara, tido como o melhor sal, provém das depressões naturais da região, onde os sistemas de drenagem do Período Holoceno e dos períodos úmidos anteriores se transformaram em lagos interiores. Este secaram aos poucos, deixando profundos depósitos salinos para serem explorados em minas a céu aberto. Os blocos de sal são moldados em formato de cuia e cilíndrica, sendo estocados para a espera das caravanas. Acampamento acima da falésia.

10º e 11º Dias: Fachi / Bilma / Dirkou
Pela manhã, partimos em direção a Bilma. O percurso entre o imenso corredor de dunas é inebriante. Adiante, mostra-se o perfil da falésia de Kawar, cujos pés aparecem como miragens. Bilma encontra-se imersa em uma vegetação luxuriante. A visão de um oásis é sempre surpreendente. Mas, de fato, seus jardins são o resultado de um trabalho árduo dos homens do deserto, uma obra de inteligência e vigilância, segundo técnicas muito antigas que demostram um profundo conhecimento desse ecossistema. Nós nos detemos entre a população de maioria Kanouri e Tubu. Fazemos uma incursão no palmerário de tamareiras e prosseguimos para as salinas. Houve um tempo, durante a caravana anual do sal, em que Bilma recebia mais
de 10 mil camelos. Sua localização estratégica a caminho do Tchad e Sudão permanece no centro de um grande trafego comercial. Uma etapa obrigatória para o reabastecimento de combustível. Acampamento junto à Falésia de Kawar.

12º e 13º Dias: Kawar / Segguedine / Platô do Djado
Agora seguimos rumo ao norte, ao longo do lado ocidental da Falésia de Kawar. Nosso primeiro destino é o Oásis de Segguedine. De lá, praticamente na base do Platô de Djado, atingimos uma das regiões mais inexplorada e selvagens de todo o Saara. O altiplano vulcânico é todo ele cortado por movimentos teutônicos, criando grandes fossas pelo abaixamento do terreno. Prosseguimos para Chirfa, onde alguns nômades Tubus habitam as redondezas. No horizonte , rochas avermelhadas
criam as mais inusitadas silhuetas.

14º e 15º Dias: Djado / Djaba / Fassassa
Num passado recente, Djado e Djaba, no caminho da rota de comércio entre o mediterrâneo e a África Negra, eram uma parada obrigatória antes da grande travessia do Teneré. Prósperas cidades, cercadas pelos jardins de seus oásis, refletiam em sua arquitetura influências Emita e Berbere. A época da coibição do tráfico de escravos entre o Niger e Líbia e o empobrecimento das condições do solo coincidem com o desaparecimento de ambas. Hoje, a visão das cidades abandonadas é soberba e misteriosa. Seguindo rumo ao norte, atingimos então a "Catedral de Fassassa", de onde partimos para um passeio à pé pela região.

16º Dia: Teneré de Tafassasset / Arakao
Iniciamos a travessia do Teneré de Tafassasset, com sua imensidão absoluta. A analogia é explicita: deserto deriva de desertar, abandonar. Os grandes espaços do Teneré não são apenas paisagens, mas palcos para transformações. O olhar sem obstáculos se rende a um horizonte que se desnuda completamente. Nossa meta é Arakao, já no universo montanhoso do maciço Air - um circulo contínuo de montanhas que, neste ponto, mesclam-se, tocando o Teneré. É surpreendente.

17º, 18º e 19º Dias: Arakao / Adrar Chiriet / Izouzadene / Temet
Nestes três dias, percorremos o "Reino do Air", entre as montanhas de rochas calcárias - com suas várias tonalidades do mármore - até as dunas mais altas do Teneré: Temet.

20º e 21º Dias: Temet / Iferouane / Agadez
Deixando as dunas de Temet, começamos nossa descida verso o sul. Aos pés do Monte Tamgak, surge Iferouane: o mais belo dos oásis da região. Um banho nas águas límpidas da guelta de Timia precede a nossa visita à vila. De Iferouane, deixamos as últimas imagens das grandes montanhas do Air até a pista que nos leva a Agadez. Fim da tarde, retornamos a Agadez.

22º Dia: Agadez
Dia livre para um merecido descanso.

23º Dia: Agadez / Niamey
Partida por terra para Niamey. Acomodação em Niamey no fim do dia.

24º Dia: Niamey / Paris
Dia livre em Niamey. À noite, traslado ao aeroporto e embarque com destino à Paris.

25º Dia: Paris / São Paulo
Pela manhã, chegada a Paris. Após breve espera, embarque no vôo com destino à São Paulo. Chegada à noite, deste mesmo dia, no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Aguarde...em breve !