Os imperativos da natureza, aliados ao bom senso e à estética, moldaram a peculiar culinária chinesa. Muito antes da influência ocidental sobre seus gourmets, os chineses já reuniam sabor e beleza à mesa.Você poderá degustar as principais atrativos da culinária chinesa durante nossa viagem.

Na capital, mesmo com o fim da corte, os banquetes sobrevivem. A culinária mandarim tem seu ponto forte no pato pequinês, apreciado pela sua dourada pele crocante. O macarrão de trigo ainda substitui o arroz, formando uma combinação irresistível.

Em Xian, o cardápio inclui o Ravioli aclamado por Marco Pólo durante suas viagens. Na região autônoma de Xinjiang (no interior), o cardápio é picante. Não tente apagar o fogo bebendo água, seria como abastecer uma fogueira com gasolina. Ao invés disto, use o arroz como harmonizador entre comida e tempero. Seu paladar vai se perder diante de tantos sabores reunidos em um único lugar. Ainda em Xinjiang, não faltarão frutas frescas e secas.

Já as pastagens da China geralmente são impróprias para a criação de gado, razão pela qual o uso da carne e todos os derivados do leite é raro. Ausência essa que revela um paraíso para os vegetarianos.

No Quirquiztão, por outro lado, a carne de carneiro é muito apreciada, como no Shashlik, o churrasco local. Aqui, é interessante notar a forte influência da culinária russa, como o Plov.

A Arte e a Tradição da Gastronomia Chinesa


Prato típico
Em vez de "bom-dia", o chinês diz, literalmente: "Já comeu hoje?" Alguém com um bom emprego é o mesmo que "ter bom trigo para mastigar", mas, se o perdeu, "quebrou a tigela de comer". Na China a alimentação é uma coisa muito séria. Todos os chineses são críticos culinários, seja em Pequim, Xangai, Hong-Kong ou qualquer lugarejo do interior. Dizem que o brasileiro só fala de futebol; na China discute-se gastronomia. Lá se pode encontrar a mais tenra carne de porco, o pato mais gordo, a verdura mais fresca, o restaurante que serve as melhores sopas e guloseimas. Este é um assunto do povo, independente de classes sociais.

A verdadeira mania pela comida vem dos primórdios da história chinesa, onde o ato de comer nunca foi visto como uma simples necessidade fisiológica. Na época dos mandarins, o imperador, o Filho do Céu, que era visto por todos como uma incorporação mágico-religiosa, tinha a maior parte do seu tempo ocupada com ritos, os quais, na sua maioria, eram dedicados à culinária.

Uma crônica da dinastia Han (200 a . C. a 220 d. C) relata que, dos quatro mil funcionários da corte, mais de um quarto tinham deveres gastronômicos. Havia 342 especialistas em peixes, 335 em verduras, 62 para cuidar somente do sal, 30 do gelo e 110 responsáveis pelas bebidas alcoólicas. Eles abasteciam 162 mestres-cucas para servir os banquetes. Tudo era levado tão a sério que, se houvesse erro na composição do menu ou na sua preparação, muitas cabeças rolavam.

Não existe uma cozinha chinesa nos moldes, vamos dizer, da francesa. Existem na China, no mínimo, cinco regiões culinárias totalmente diferentes: aquela de Cantão, suave, fresca, imaginativa; a de Fukien, especializada em sopas saborosíssimas; a de Sechuan, aromática, com temperos fortes; de Shandong, com muito alho, baseada em camarões; e a de Hunan, agridoce e famosa pelos peixes de água doce.

Talvez um dos ingredientes secretos da culinária chinesa seja o seu valor social: comer era, e é até hoje, um ato de comunicação - uma espécie de comunhão leiga. É uma concepção filosófica. Nós comemos com garfo e faca, os chineses comem com pauzinhos. Os pratos com as diversas iguarias ficam no centro da mesa e os comensais se servem de tudo à vontade. Tanto os pauzinhos como o garfo e a faca são prolongamentos dos dedos. Os quaitzi (aceleradores) chineses são muito antigos, já que pesquisas arqueológicas comprovam que são usados no mínimo há 3.500 anos.

Prato típico

Nosso talher completo nem tem 350 anos, e é considerado ridículo pelo chinês tradicional. Por que cortar a carne e o legume no seu prato se isto é responsabilidade do cozinheiro, que deve servir a comida em pequenos pedaços? Isso já havia sido dito por Confúcio (c.500 a .C.), talvez o mais influente dos pensadores da velha China, recusando-se a tocar em comida que não estivesse cortada "convenientemente". Também é de Confúcio o adágio "façam bolinhos, não façam a guerra", bem como o conselho de castigar os filhos que deixassem um grão de arroz na tigela, pois ele sabia do horror da fome.

A China dispõe de 1/12 avos das terras cultiváveis do planeta, mas tem que alimentar quase um quarto da população mundial. Esse fato nos possibilita observar mais uma faceta da às vezes contraditória filosofia chinesa. Por ser a sua alimentação de subsistência, eles compensam essa deficiência com o exotismo, a arte e até o luxo na apresentação de seus pratos. Dessa maneira, é comum encontrar na panela de uma família chinesa plantas e animais que muitas vezes fariam dar voltas ao estômago de um ocidental. Que o diga Marco Pólo (1254 - 1324): "Comem todos os tipos de carne, inclusive aquela de cães e de outras bestas e animais que um cristão não tocaria por nada neste mundo". Marco, por sua vez, gostou tanto das massas (os chineses não comem pão) que as introduziu na Itália.


Prato típico
Até hoje servem-se normalmente búfalo, gato, cão, cobra (cuja pele é retirada em vida), rato, ratazana, lagartixa, morcego, inseto e suas larvas, vermes, além de todas as espécies de frutos do mar, barbatanas de tubarão e baleia. Famosa e caríssima é a sopa de ninhos de andorinha-do-mar (que a ave constrói com sua saliva). Isso tudo sem contar as verduras, como a couve-chinesa (pe-tsai) e os brotos de bambu e feijão, bem como cogumelos, algas, etc. Os chineses se deliciam com o chamado "ovo de mil anos", que fica durante três meses na vinha-d'alhos e possui um gosto acentuadamente pobre. No entanto, eles abominam os queijos, pois dizem que não passam de "leite podre". Por fim, é bom frisar que o nosso chop suey, dito como iguaria chinesa, lhes é totalmente desconhecido.

Outro segredo da culinária chinesa é o fato de ela estar baseada na concepção filosófica do yin e do yang, os dois pólos opostos que se juntam para formar a unidade harmoniosa. Há milênios os chineses tentam equilibrar essas forças dentro do corpo humano através de dietas, pois é da desarmonia que resultam as doenças. Confúcio exigia que à parte animal de um prato devia corresponder outra, de igual quantidade, de vegetais. E os japoneses, diletos alunos dos chineses, ensinam que uma refeição balanceada deve conter os cinco sabores: doce, salgado, ácido, amargo e picante. Destes conceitos resulta outra característica da comida chinesa: é vista, em sua maior parte, como medicinal.

Dentro da concepção yin-yang, consideram-se quentes os pratos apimentados ou gordurosos, enquanto peixe e outros frutos do mar são frios, como o é o feijão. Para manter o equilíbrio do corpo, cada refeição deve conter estes elementos em partes iguais. A culinária chinesa nunca teve um fim meramente alimentar, ela visa, também, manter ou criar o bem-estar do corpo, a profilaxia e mesmo a cura de certas doenças. A equação medicina-magia-religião perde-se nas brumas do tempo. A cozinha clássica chinesa baseia-se nesses velhos conceitos e em profundos conhecimentos de botânica. Os primeiros manuais herbários datam de 3.500 anos atrás, e seus sucessores circulam até hoje. A nossa comida natural, tão em moda, tem uma história milenar na China.

Lojas de ervas vendem, também, morcegos secos para comer, pó de chifre de rinoceronte ou de cornos de gamo, para aumentar a potência sexual, que também se amplia ao se ingerir o ginseng (raiz dita afrodisíaca, muito em moda hoje na sociedade ocidental). Restaurantes especializados em menus medicinais usam centenas de ingredientes exóticos, onde entram as mais variadas ervas, cogumelos, gengibre, ginseng, pó de cavalo-marinho, fetos de coelho marinados, para criar quase trezentos pratos que ajudam a curar doenças cardíacas, pulmonares, renais, estomacais, como, também, asma, bronquite, insônia e um sem-número de outras enfermidades, ou que simplesmente ajudam a manter a pessoa saudável. A culinária chinesa, com suas múltiplas faces, vem proporcionando, há milhares de anos, àqueles que dela desfrutam, sabores para todos os gostos e uma vida sadia e vigorosa.

Texto de FRED MADERSBACHER

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alimentação

Nas expedições da Mundus, geralmente apenas o café da manhã está incluso no programa. Exceções ocorrem de acordo com a natureza das atividades propostas ou com as opções de cada lugar. É o caso da Rota da Seda, quando optamos pelo fornecimento de todas as refeições principais. Trata-se de pratos da culinária local, geralmente servidos fora do hotel.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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