Foto: Adriano Gambarini

O nosso Pantanal, de tão diverso e caprichoso, implica uma constante mobilidade, mesmo nas épocas em que os rios Cuiabá e São Lourenço estão navegáveis. A entrada de algumas embarcações em determinado curso varia de ano a ano, de estação à estação. Por isso, o trajeto na chalana acompanha essa coreografia da diversidade própria da região, sendo monitorado e adequado ao mês de sua viagem. A tabela abaixo tenta prover uma referência mas via de regra se altera ao tempero e ao humor das estações.

Rotas mestras:

Rota 1 ( Norte) Barão de Melgaço à Porto Cercado ( aproximadamente 103 km)

Rota 2 ( Sul) Porto Cercado à Porto Jofre (aproximadamente 200km)

 
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Rotas
1
1
1
1
1
1
2
2
2
2
1/2
1
Cheia**
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**
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Vazante<>
     
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Seca #
           
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Diferentemente do que o nome sugere, o Pantanal não é um pântano, e sim um vasto platô aluvial, sendo a maior planície alagada do planeta. Alguns acreditam que a região teria sido, de fato, um mar interior que foi se drenando há 65 milhões de anos.

Medido o território de suas "águas" na extensão nacional e estrangeira ( áreas boliviana e paraguaia), o Pantanal tem uma área de 210.000 Km². Para visualizar esta grandiosidade, considere que esta área eqüivale, por exemplo, à Bélgica, Portugal, Holanda e Suíça juntas.

O reino de suas águas é uma rede capilar de extrema complexidade que, rica em sedimento vindos dos planaltos brasileiro e da cordilheira dos Andes, faz da região uma aérea de extrema fertilidade . Talvez, isto sirva para explicar a exuberância da flora e fauna deste lugar.

Seus ecossistemas são melhor entendidos quando vistos por dois ciclos principais - Da Cheia e Da Vazante. E pode-se também considerá-los ligados a regimes mais longos, cuja periodicidade varia entre 10 e 25 anos. Neles, as chuvas podem ser mais severas ou mais escassas - a seca mais pronunciada ou mais atenuada.

Das secas aos dilúvios

As transformações físicas e humanas imersas nestes ciclos são igualmente exorbitantes. O Rio engorda. A Terra emagrece. O Rio mingua. A Terra se expande. Num ritmo que nunca cansa. É o que acontece, por exemplo, com o Rio Piqueri , um dos afluentes do Cuiabá. Na seca, o rio ocupa 8 Km². Na Chuva, ocupa uma área 31 vezes maior.

O homem da região aprendeu a ter uma relação com a terra nesta dimensão. Se na seca costuma ser fazendeiro de um mundão de terra, no alagado precisa estar preparado para conviver com uma redução dramática deste território. Literalmente falta espaço.

Não apenas o homem teve de se adaptar, mas também o gado, que deve migrar a tempo para estar a salvo. Este vai e vem é conhecido por "descessão do gado ": um espetáculo pantaneiro, uma comitiva de muitas patas, que vai do seco para o molhado - caminhando dias, atravessando rios, cordilheiras, estradas em uma viagem que pode durar mais de uma mês.

No íntimo, ninguém se queixa. Quer coisa melhor do que uma vida que se alterna ao ritmo das águas e que afugenta qualquer monotonia ou rotina?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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