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Os Dogon
são um dos inúmeros grupos étnicos que
habitam o altiplano central do Mali. Seu passado e legado
são transmitidos através de suas tradições
orais. Há suposições de que o seu lugar
de origem se encontrava às margens oeste do Rio Niger,
entre os séculos X e XIII. Mas de acordo com a lenda,
os antepassados Dogon foram quatro irmãos de origem
sobrenatural, chamados: Dyon, Arou, Dommo e Ono, os quais,
devido a uma disputa na pátria Mande, decidiram deixar
o local em busca de outro, onde eles e seus descendentes pudessem
viver em paz. Inicialmente emigraram para norte e oeste de
Burkina Faso, região que os nomeia "Kisi".
Em seguida, fugindo do ataque dos Mossi, refugiaram-se enfim
na Falésia de Bandiagara.
A falésia
de Bandiagara, no Mali, é uma fratura geológica
de aproximadamente 200 km de extensão. Localizada entre
a savana e a planície do Rio Niger, serviria então
como refúgio natural para os Dogon: suas paredes escarpadas
de rocha ofereciam proteção e abrigo, por camuflarem
perfeitamente as casa Dogon. Construídas da mistura
de argila, palha e esterco bovino, elas eram e ainda são
quase indistinguíveis à distância. Esse
mimetismo, nada casual, em uma topografia belicosa, era de
fato ideal. Erguidas junto às paredes mais altas do
penhasco, essas casas só eram acessíveis através
da escalada da rocha (algumas ainda o são), sobretudo
aquelas que serviram de objeto para a ocupação
inicial. O terreno, aqui e ali pontilhado de pedras soltas,
dificultava a escravização de seus membros por
grupos de cavalaria. E, do alto da falésia, a vista
privilegiada sinalizava a aproximação da ameaça
quando ela ainda poderia ser evitada ou seu impacto, minimizado.

Dança
Dogon
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A
região também propiciava recursos hídricos,
provenientes do arenito, mineral capaz de armazenar
água durante toda a estação de
seca. E, nas partes mais baixas da escarpa, os riachos
e regatos serviam para coleta da água durante
a breve estação das chuvas. Estes elementos
representavam algumas vantagens indiscutíveis
para estes, que tinham a enxada como ferramenta principal
de subsistência e não se valiam de animais
de carga para o arado.
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Os Dogons
chegaram à falésia por volta do século
XV, época da expansão do Império do Mali.
Mas o local já era habitado por outros povos. Há
registros de habitantes na falésia desde 3000 anos
a.C. Os Telem, que foram absorvidos pelos Dogon por influências
recíprocas ou obrigados a se deslocarem, deixaram,
além de outros, o grande legado das cavernas. Nelas
se encontra o local mais sagrado para os Dogons, abrigando
sepulturas e pontilhando a verticalidade da falésia.
Foram erigidas em seus pontos mais altos, só acessíveis
aos mais hábeis escaladores através de cordas
feitas da fibra do Baobá.
Os
dados sobre esta população são
imprecisos e variam em números, dependendo
das fontes. A imprecisão permeia de 100.000
a 50.000 de habitantes, estando a maior parte das
vilas e aldeias concentrada numa faixa de 140 km de
extensão ao longo da Falésia de Bandiagara.
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