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Arquitetura
e simbologia das vilas Dogon.
Não
bastasse a complexidade dos mitos e seus rituais minuciosos,
a arquitetura Dogon nos sinaliza que, na falésia, tudo
pertence ao universo de seus símbolos, mitos e lendas.
E, portanto, não foge a tais preceitos. Neste sentido,
cada vila Dogon é construída como se representasse
o corpo humano.
A
cabeça é a casa do Hogon:
chefe religioso e membro mais ancião da tribo, o Hogon
vive recluso (apenas uma menina que ainda não atingiu
a puberdade pode aproximar-se dele para trazer-lhe água
e comida), sendo o responsável pelo Altar do Lebé,
o mítico progenitor dos Dogon, ressuscitado sob a forma
de serpente. O Hogon recebe a sabedoria da serpente sagrada,
dirimindo as controvérsias sobre as cerimônias
religiosas nas ocasiões de severidade da seca, doenças,
entre outras dificuldades.
O
coração é a Togu-na:
essa genuína casa da palavra é um abrigo para
as intempéries. É formada por oito pilares de
madeira entalhada, que representam os oito místicos
progenitores dos Dogon, criados por Ann, Deus do universo.
O teto não chega a um metro de altura, sendo pensado
e construído para que seus membros, durante uma controvérsia,
não se levantem em um rompante durante a discussão,
retirando-se do recinto.
As
mãos
são representadas pela casa onde as mulheres ficam
reclusas durante o ciclo menstrual.
Veias
e artérias
são representadas pelas ginnas,
conhecidas como as habitações estendidas por
grupos, dentro de um marco de linhagem patriarcal.
A cerca
destas habitações estão igualmente estruturadas
como representação dos membros do corpo humano;
sua área de respiro equivale ao busto; sua cozinha
circular, à testa.
Construídas
para armazenar grãos, as várias unidades retangulares
com o teto plano e outras de forma cilíndrica com um
teto pontiagudo representam, enfim, os órgãos
genitais.
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