Há
entre os mais recônditos confins do planeta, muitos candidatos
ao título de "a última Shangri-lá":
fronteira derradeira no limiar da existência. Entretanto,
o Ladakh parece estar em um privilegiado lugar - o endereço
emocional no inconsciente coletivo dos viajantes do horizonte perdido.
Encravado nas
profundezas dos Himalaias, na ponta mais ocidental do planalto tibetano,
tem a cordilheira como muralha, fortaleza, esculpindo uma das mais
desafiadoras geografias do planeta. Esse deserto de alta altitude
no estado de Jammu e Kashmir, isolado do mundo durante oito meses,
é um mito-lugar: cenário de lua; montanhas; crateras;
oásis de variados verdes, desafiando uma palheta de cores
inebriantes; mosteiros de lamas encravados nos sopés das
alturas; estátuas de Buda com pedras incrustadas; tangka
(rolos de pergaminho pintados), e murais tântricos, marcos
de uma gloriosa civilização passada. Relíquias
do povo tibetano, à revelia do tempo e dos chineses. O Ladakh
é, parafraseando Helena Norber-Hodge, "(...) qualquer
coisa que nós, ocidentais, em consciência, podemos
apreciar melhor do que os Ladakhis, porque sabemos o que significa
perdê-lo". É o delicado equilíbrio, a harmonia
essencial.
16
DIAS DE VIAGEM
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| 1º
dia: São Paulo / Paris
Sexta-feira à noite, comparecimento ao Aeroporto Internacional
de Guarulhos para embarque com destino a Paris.
2º
dia: Paris
Chegada a Paris pela manhã. Não há traslados
na Capital. A acomodação prevista é feita em
um dos hotéis conveniados à Air France. A tarde é
livre para explorações independentes.
3º
dia: Paris / Delhi
Pela manhã, comparecimento ao aeroporto Charle de Gaulle
para embarque em vôo com destino a Delhi. À Noite,
chegada em Delhi. Recepção e traslado ao hotel.
04º
dia: Delhi / Leh 3500 m. Capital do Ladakh
Pela manhã, traslado ao aeroporto para embarque a Leh, a
capital do Ladakh, também chamada de "a última
Shangri-lá". O vôo, um dos mais fascinantes do
mundo, sobrevoa o Himalaia. Após a chegada, traslado e alojamento.
À tarde, com a finalidade de facilitar o processo de aclimatação
à altitude em Leh, as atividades do dia são desenhadas
para por o corpo em movimento lento. Assim, após refeição
e descanso, caminhamos ao Lhaklang para o ritual de celebração
de nossa chegada. Ao girar as rodas de oração, libertamos
o poder das preces nelas contido. Em seguida, ganhamos o bazar,
que na verdade é a rua central da cidade, vitrine por onde
vemos passar a gente do lugar.
06º dia: Leh - Hemis e Thikse Gompas
O dia se inicia cedo. Partimos para a visita de Hemis, reconhecida
pelas comemorações ali realizadas celebrando o nascimento
do Guru Padmasambhava. Imensas tangkas estão dispostas sobre
a fachada da construção. As flâmulas de oração,
um dos mais populares símbolos budistas, faziam parte dos
ritos ancestrais de oferendas às entidades nas montanhas,
sendo uma prática cuja origem é anterior ao budismo.
Continuamos nossa exploração a Thikse, pertencente
à linhagem dos chapéus amarelos e um dos mais importantes
monastérios do Ladakh. Os monastérios - objeto de
nossa visitação diária -, ao contrário
de outros templos, são centros de convívio e relacionamento
nas inúmeras práticas do cotidiano abertas à
experimentação dos visitantes.
07º dia: Leh - Entre os Ladakhis
Dia inteiro de visitação aos Ladakhis. Ao longo dos
séculos, este povo, que a tudo se assemelha ao tibetano,
comunga da cultura budista, da religião e da língua
tibetana. São reconhecidos por manter o delicado equilíbrio
entre os recursos naturais (escassos) e o meio ambiente. O povo
Ladakh não só sobrevive como prospera. O território
em questão esteve quase completamente isolado até
1962, mas devido aos incidentes fronteiriços que então
opuseram a Índia à China (ocupação do
Tibete) e ao Paquistão, no conflito pela possessão
da Caxemira, o exército indiano abriu uma estrada para ligar
a região ao resto da Índia. Só em 1975, a área
foi aberta aos estrangeiros e tornou-se um marco dos grandes viajantes
e aventureiros. O dia é dedicado a estarmos entre os Ladakhis,
compartilhando dos afazeres diários e dos pequenos hábitos
cotidianos. Receber e ser recebido é uma arte: parte de comungar
o prazer em sermos honrados pelo anfitrião. Assim, na ocasião,
brindamos com o Gur Gur Cha (chá amanteigado) e Chang, a
cerveja local e nos deixamos estar.
08º
dia: Leh - Alchi - Uleytokpo - a travessia dos interiores
Pela manhã, deixamos a capital em direção ao
monastério de Alchi, o mais antigo do Ladakh e o cartão
postal da região, obra prima de uma arquitetura que reverencia
o caminho da ascensão e iluminação de um povo.
Foi erigido no século XI pelo Rinchen Zangpo, responsável
por inúmeras outras construções templárias.
Se quase todos os monastérios do Ladakh foram erigidos em
posição de destaque, nos penhascos, Alchi está
em meio aos campos de barley, cereal que compõe o alimento
principal na dieta local. O estilo ímpar da construção
de Alchi é Kashmiri - hindu. Ainda se encontram no acervo
algumas mandalas raras (diagramas circulares com uma figura ou forma
ao centro simbolizando uma qualidade). No fim do dia, partimos para
Uleytokpo, onde a hospedagem é em acampamento fixo.
09º
dia: Uleytokpo / Lamayuru e Temasgam - a força da fé
Percurso do dia: o monastério de Lamayuru e Temasgam. A estrada
pelo interior do Ladakh, se mantém acessível por apenas
três meses, pois no restante do tempo é bloqueada pelo
gelo, quando, novamente, o Ladakh torna a mergulhar na sua impenetrabilidade.
A travessia nos presenteia com cenários variados. Nuas ou
vestidas de gelo, as montanhas assumem formas dominantes. O topo
do mundo é inebriante, numa combinação que
nos permite estar na fronteira, no limiar, no devaneio. Um êxtase
que o ar rarefeito parece acentuar como se estivéssemos sempre
na condição de sonho. Uma sucessão de imagens
de pequenos oásis, dos inúmeros vales. No maior deles,
o vale do Rio Indus, há rebanhos conduzidos por levas nômades,
viajando no verão de um vale a outro em trilhas ancestrais,
gompas e stupas, onde a palavra e a prece alcançam o mistério
de uma fé contagiante.
10º
dia: Uleytokpo / Mangyu Valley - um mundo sob seus pés.
Partimos pela
manhã para a exploração do vale de Mangyu,
um dos mais remotos vales do Ladakh. O dia é de exploração
a pé pelas aldeias. No percurso, caminhamos para termos uma
perspectiva dos vales, dos campos férteis, do rio Indus.
No fim do dia, retorno a Uleytokpo para acomodação.
Refeições incluas e equipe de apoio.
11º
dia: Uleytokpo / Leh - retorno a capital
Nas
primeiras horas da manhã, deixamos o acampamento e partimos
em direção a Leh. Chegada, acomodação.
12º
dia: Leh / Delhi
Pela manhã, traslado ao aeroporto para embarque
com destino a Delhi. Chegada em Delhi, recepção e
acomodação.
Após
a acomodação, está programada uma massagem
para recompor o corpo e a mente de uma longa jornada. À noite
show de dança clássica indiana. Jantar incluso.
13º
dia: Delhi / Agra
Pela manhã, partida por terra para Agra.
Chegada e acomodação em Agra, seguida de visita ao
Forte de Agra. No fim do dia, apreciamos o pôr-do-sol de um
lugar que é símbolo da excelência nacional:
o Taj Mahal. uma experiência inesquecível.
14º
dia: Agra / Delhi
Pela manhã, retorno a Delhi. Chegada em Delhi
e visita a cidade antiga - suas mesquitas e bazares. Após,
breve repouso no hotel. À noite, traslado ao aeroporto para
embarque no vôo com destino a Paris nas primeiras horas do
dia seguinte.
15º
dia: Delhi / Paris / São Paulo
Na
primeira hora, embarque com destino a Paris. Desembarque na manhã
deste mesmo dia em Paris. Não há traslados na Capital.
Tarde livre para explorações independentes. Á
noite, comparecimento ao aeroporto Charle de Gaulle para embarque
no vôo com destino a São Paulo.
16º
dia: São Paulo
Chegada pela
manhã, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, São
Paulo. |