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Sendo
o templo uma síntese do plano cósmico, sua acurada representação
se faz necessária para a adequação do protótipo divino. É
a relação deste plano com os seus correspondentes cardiais
dirigidos e orientados para o plano celestial. O acurado tem
valor exato e é de vital importância. Uma orientação
inadequada pode trazer destruição, desfragmentação e toda
a sorte de incidentes. Por isso, toda a preparação no fundamento
do templo contempla diversas fases do ritual onde a geometria
sagrada está inserida.
O ritual
do estiramento das cordas no Egito e na India são fartamente
documentados. Nele se estabelecem os preparativos do terreno
que deverá receber o edifício templário- cuja característica
é trazer ao edificio terrestre a sua composicão divina, orientando
suas direcões cardeais em correspondência com as das constelações
celestiais . As parametrizações astrológicas, além de fascinantes,
podem ser largamente visualizadas, por exemplo, no teto da
tumba inacabada de Senmut em Deir el Bahri - no Egito. O ritual
legendário está vivo e ainda hoje é realizado à noite, no
nascimento da lua nova, quando a constelacão da Ursa Maior
está nítida.
As mandalas
tibetanas são construídas na terra, de acordo com os mais
minuciosos e laboriosos rituais. As linhas iniciais são dispostas
com cordas brancas. Aquelas que as sucedem são cinco fios
( sutra) da mais fina qualidade, cada uma representada por
uma cor, entrelaçadas. A corda denominada corda de gnoses
é estirada completamente acima do plano, depois relaxada suavemente.
O processo é repetido diversas vezes, até que suas linhas
principais sejam obtidas. Todos os aspectos do cerimonial
de estiramento da corda estão minuciosamente descritos nos
tratados tibetanos: o tamanho da corda, os rituais de purificação
que o antecedem. As cinco cordas representam as cinco famílias
de Buda. O eixo central da mandala representa o centro do
mundo. E o Monte Meru é representado pela linha chamada de
linha de Brehma, usada para estabelecer os medianos norte
/ sul, oeste / leste.
Os templos
indianos são sempre construídos após a observação cuidadosa
das constelações que lhe são favoráveis. Por exemplo, todo
o ciclo de constelações percorridas pela lua no seu curso
mensal. Após o que se seguem outros rituais de purificação
e fertilização do solo e de alinhamento do local . A determinacão
da exata orientação cósmica e do estabelecimento do altar,
além do cerimonial de estreitamento da corda, estão em conformídade
com a orientação do Sol, da Lua ou de um planeta que esteja
dentro do círculo dos corpos celestiais representados no sagrado
local.
Talvez
nenhum templo tenha expressado tão estreitamente e minuciosamente
a geografia sagrada como Angkor Wat, construido por Suryavarman
II, durante trinta anos, no século XII. Recentes estudos astrológicos
no local (publicados na Science) revelaram que as entradas
do templo (diferentemente de outros templos Cambodianos) foram
erguidas contemplando o oeste, assegurando-se que o nascer
do sol estivesse diretamente alinhado por sobre o topo da
mais alta torre do complexo - precisamente na entrada dos
dias de equinócio e solstício ( o que se correlaciona com
o culto de adoracão do deus solar Vishnu) . Vinte e duas posicões
dentro do templo eram usadas para observacão do Sol e da Lua.
Entretanto, o que mais surpreende é o fato do eixo leste-
oeste do templo registrar, em distância arquitetônica, o calendário
de 365 dias do ano e os quatro mais importantes feriados da
cosmologia Hindu.
Adaptado
do livro The Temple -Meeting Place of Heaven and Earth - Thames
and Hudson - 1993
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