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cidades do continente, resguarda uma atmosfera que mergulha na intimidade,
mas convive com sua vocação para a modernidade. Vários
são os empreendimentos voltados às experiências
culturais: teatros, museus,universidades,livrarias e gastronomia.
Juntos, eles celebram a mistura de edificações coloniais,
símbolos imperiais, influências soviéticas e
arranha-céus. No início da tarde, exploramos parte
deste ecletismo nas igrejas e catedrais. Em seguida, conferimos
as expressões artísticas nacionais. Entre elas está
o Africa Hall, cenário das reuniões dos lideres africanos,
onde apreciamos a arte em vitral daquele que é reconhecido
como um dos maiores expoentes artísticos no continente: Afewerk
Tekle.
4º
dia: Adis Abeba
Pela manhã, visita ao Museu Arqueológico, ao Antigo
Palácio e à Residência Oficial de Haile Selassie.
Ali, Lucy é um clássico, ( achado arqueológico
de forma homínida datando uns 3 milhões e 600 mil
anos) mas o acervo continua surpreendente em todas as salas que
se seguem. A seleção em exibição é
impecável e nos possibilita a imersão na diversidade
cultural das etnias etíopes. A tarde é reservada à
visitação do Merkato - nome herdado da presença
e influência italiana - o maior mercado a céu aberto
no continente (26 Km²). Sem pressa, entretemo-nos com os cheiros,
sabores, línguas e cores do lugar. À noite, degustamos
um jantar típico com os menestréis Azmari.
5
º dia: Addis Abeba / Kombolcha (1900m)
Cedo pela manhã, partida por terra para o mercado de Sembete
a 370 quilômetros ao norte da capital (aproximadamente 4h30
de viagem). Chegamos ao mercado no horário apropriado e no
"Dia D". Sembete é o maior ponto de encontro da
etnia Afar na região. Este orgulhoso povo de pastores - guerreiros,
também conhecidos por Danakis, estão espalhados num
território que compreende Djibuti, Eritréia e Etiópia.
Calcula-se que metade da população permanece nômade,
mantendo assim sua tradição.
Todos os sábados
pela manhã, as tribos dos territórios da região
se reúnem em Sembete. Chegam a cavalo, a pé, de mula
ou bicicleta. Os povos da montanha trocam mercadorias com os povos
do vale: gado, objetos de couro, leite e manteiga por galinhas,
ovos, cereais, especiarias. Há os que trazem o sal do deserto
para o escambo. Afar, Konsos e Oromos encontram-se no mercado, concretizando
uma experiência inesquecível.
O dia do mercado
requer o traje a rigor. Os homens vestem o "foutah", uma
espécie de sarong, e usam a sua "jile", uma faca
curva. As mulheres exibem belas jóias e, a parte delas, trajam
uma saia longa. A beleza do povo Afar e seu complexo sistema social
são objeto de vivo interesse e aguçada discussão.
A condição de que entre os Afar exista liberdade dentro
do casamento para experiências com outros parceiros (homens
e mulheres) e a manutenção da tradição
da excisão são em si uma dura contradição
A circuncisão feminina, este imenso sacrifício a que
a maioria das mulheres é submetida, revela um intrincado
universo. Alterar o quadro e o curso de eventos antiqüíssimos
é um movimento lento e delicado, o qual exige mútuo
entendimento. Partida por terra para Kombolcha no fim da tarde.
Chegada em Kombolcha seguida de alojamento (acomodação
básica).
6º e 7º dia: Kombolcha / Lalibela (2630m)
Pela manhã, partida por terra para Lalibela (182 km - 6 horas).
Lalibela, de acordo com o sacerdote Francisco Álvares, quer
dizer "milagre". Isto porque, desde o berço, recebeu
os sinais do escolhido. Uma alusão de que o rei Lalibela,
de quem o local tomou o nome, fora, desde seu nascimento, predestinado
a reproduzir na Etiópia a construção de um
dos mais extraordinários conjuntos de templos. As igrejas
somam onze e presume-se que datam do início do século
XIII. O mais fascinante é que representam a culminação
de um longo itinerário arquitetônico, que vem das construções
subterrâneas de Axum e passa pelas quase inacessíveis
igrejas do Tigre.
Os textos etíopes
dizem que a construção do complexo durou 24 anos.
E sua lenda acrescenta que os anjos intervieram ininterruptamente
no trabalho noturno. "Em Lalibela, os templos não surgiram
com o acréscimo e a junção de materiais. Mas
cortando-se, cavando-se, desbastando-se a pedra viva, para nela
esculpir a igreja inteira".
Nestes dois
dias, fazemos uma imersão no complexo, maravilhados e arrebatados
pelo trabalho fantástico e faraônico das construções.
Mas é por volta das 7 da manhã do 9º dia, que
vamos entrar no transe matutino, evocado pelo som dos tambores e
vozes uníssonas das canções, às quais
se misturam as benções dos padres, preenchendo todo
o ambiente. Acomodação em Hotel.
As igrejas visitadas:
Bete Medhane Alem, Bete Mariam, Bete Maskal, Bete Danaghel, Bete
Golgotha e Bete Mikael, Bete Giorgis, Bete Amanuel, Bete Markorios,
Bete Aba Libanos e Bete Gabriel-Rufael.
8º
dia: Lalibela / Sekota / Korem / Mekele (2130m)
Pela manhã partida por terra a Mekele, capital da região
denominada Tigre ou Tigray. (aproximadamente 279 km). O percurso
é realizado pela estrada marginal num ambiente rural através
do topo das montanhas. É uma paisagem dramática, um
zig-zag, que desce vales de rios profundos para tornar a subir por
vertentes íngremes. Finalmente atingimos Korem, um vasto
platô com visões fora deste mundo, que só poderiam
ser descritas com superlativos. Fim do dia acomodação
em Mekele.
9º
dia: Mekele / Tigre / Yeha / Axum (2150m)
Pela manhã, partida por terra a Wukro, nosso destino é
a árida região do Tigray, mais precisamente a igreja
escavada na rocha de Abraha Atsbha, uma das jóias deste patrimônio
histórico que provavelmente compreende o hiato do tempo entre
o desenvolvimento arquitetônico e o recrudescer do fervor
religioso do conjunto de igrejas e tempos que a elas se seguiram.
Após, prosseguimos a Axum. No caminho visitamos o templo
da Lua em Yeha. a 50 km de Axum. O templo, com várias inscrições
e caracteres sul- arábicos e com pedras muito bem talhadas,
testemunha as semelhanças e contatos entre o Iêmen
e a Etiópia (245 km - 7 horas ).
Axum foi grande,
mas tão grande, que há quem lhe compare aos quatro
grandes impérios do mundo antigo. Exageros à parte,
o fato é que Axum se tornou, no início da era cristã,
um importante empório do marfim e de outros produtos africanos.
Dominando os altos planaltos do Tigre e os vales dos rios Mareb
e Tacazé, controlava o tráfego do interior para
o mar Vermelho. A região recebeu, desde muito cedo, a influência
iemenita pelo mar Vermelho, por estar muito próxima ao grande
porto de Adulis. Mais tarde, esta influência tornou-se ainda
maior com os entrepostos e colonos vindos da Arábia do sul,
cujo regresso era sempre adiado diante das oportunidades oferecidas
pela nova terra. Na condição de estrangeiros, iam
transmitindo sua cultura, crenças e língua, entre
outros costumes. As altas estelas que se espalham pelo norte do
país, têm em suas bases um altar e uma espécie
de bacia para conter o sangue ou o vinho dos sacrifícios
para honrar as divindades da Arábia do Sul que foram incorporadas
às divindades locais. Belas pela leveza de sua verticalidade,
vê-se, no topo de algumas, o disco em forma de crescente,
cujo símbolo é ligado a Marem, o deus do céu,
da guerra, o deus da família real, o pai divino do soberano
de Axum.
10º
dia: Axum (2150m)
Dia dedicado
à exploração de Axum. No percurso, estão:
a grande estela de Ezana; a Igreja de Santa Maria de Sion, de onde
pode-se ver alguns socos de pedra, onde, conforme a tradição,
reunia-se o conselho dos notáveis; o Santuário Guardião
da "Arca da Aliança", que segundo o Kebra Negast,
foi roubada pelo exército de Menelique, filho de Salomão
e da venerada Rainha de Sabá, quando Menelique retornava
de Jerusalém, onde teria ido para conhecer o pai e sagrar-se
rei da Etiópia; The Coronation Yard; as ruínas do
Castelo de Dongour, cuja tradição é atribuída
à adorável rainha de Sabá; o Palácio
e a Necrópole do rei.
Costuma-se vincular
o início do cristianismo na Etiópia ao nome de Ezana,
um dos monarcas de Axum. Mas a fé cristã dos estrangeiros
percorreu um longo caminho antes de se tornar o símbolo da
unidade etíope. As inspirações religiosas e
culturais velejaram por mares muito diversos, à mercê
da órbita do comércio cada vez mais sofisticado, desde
quando se fez uso apropriado dos ventos de monção
e das esferas do poder regulador dos mares. Assim, a medida que
o controle do Mar Vermelho mudava de mãos ou os centros de
decisão se deslocavam, o norte etíope também
trasladava o seu centro de inspirações como era conveniente
a uma das grandes pontas da rede comercial. Do Suez ate a China,
chegavam pelas velas dos barcos e através do convívio
nos portos as divindades egípcias, greco-romanas, persas
e bramânicas, entre Jeová, mitra, Buda e outras. Da
simpatia à aceitação e conversão dos
monarcas de Axum até a conquista do povo pela nova fé,
passaram-se longos períodos. E foi apenas entre os séculos
V ou VI, com a chegada de missionários sírios ou da
própria Arábia - entre eles os Nove Santos, que de
fato a conversão se tornou ampla. Com a época da conversão
propriamente dita, coincide o instante histórico em que se
tinham em alta estima os exemplos dos ascetas, na sua forma solitária,
isolados do mundo e afastados do comum da vida, próprias
de Bizâncio e dos ritos cristãos orientais. A partir
deste momento e por mais de mil anos, as igrejas seriam então
erigidas nas montanhas, ocultando-se nas cavernas, muitas vezes
por sobre templos e crenças mais antigas. É, neste
contexto, que as muitas igrejas do norte etíope ganham todo
o sentido.
11º
dia: Axum / Parque Nacional Semien / Gondar
Pela
manhã partida por terra ao parque nacional Semien. A paisagem
do dia é cheia de emoção. A região norte
foi dramaticamente trabalhada pela erosão na grande falha
da África, produzindo fraturas num terreno que ganha altitudes
superiores aos 4.000 mil metros e precipícios com mais de
1.500 metros de profundidade Estamos no teto da África, numa
das mais espetaculares geografias do continente. Após, partida
por terra á Gondar. Chegada, acomodação (311
km - 8 horas).
12º
dia: Gondar (2000m)
Dia dedicado à exploração de
Gondar, também conhecida como a Camelot africana, mergulhada
em seus castelos, do rei Fasiladas, palácios, mosteiros medievais
marcados pelas influências hindus, árabes e pelo estilo
barroco trazido a Gondar pelos missionários jesuítas
portugueses. Após prosseguimos a Wolleka para encontro com
a comunidade dos judeus etíopes. O norte etíope havia
bebido intensamente do sentir monoteísta e da religião
mosaica, assim como a Arábia do Sul pré-islamica,
o Cáucaso, e a África do Norte. Os falachas, judeus
etíopes precocemente estabelecidos ao norte do lago Tana,
em Begender, Semién e Dembija, teriam sido os responsáveis
pela preservação da cultura judaica na Etiópia.
Acredita-se serem eles aqueles que não seguiram Moisés
e rumaram na direção oposta. Outros os vêem
como os descendentes dos camaradas de Menelique, filho da união
entre a rainha de Sabá e do Rei Salomão. Outros ainda
os têm como produto da diáspora na destruição
do primeiro templo. Hoje a comunidade dos falasha remanescente é
pouco expressiva diante das operações de resgate,
iniciadas nos anos 80, pela comunidade israelita.
13º
dia: Gondar / Lago Tana
Pela manhã, partida para Gorgora (66 km -
1h30min) Lá, de barco, cruzamos o lago Tana ,vamos ao encontro
de algumas dos mais belas igrejas e mosteiros do país, construídas
nas várias ilhotas espelhadas pela superfície do lago.
Parte deles acessíveis inclusive às mulheres. O interesse
deste conjunto reside principalmente nas pinturas que os cobrem,
cujo tema é freqüentemente ao santo a quem o mosteiro
é dedicado. Além dos edifícios, existe todo
um acervo de coroas, cruzes, paramentos, adornos e, sobretudo, os
manuscritos. Todo este acervo manuseado diariamente. No percurso,
estão Beta Giorgis e Beta Maryam e a grande Ura Khidane Meret.
E no centro do lago, podemos apreciar ainda a ilha Dek e Narga Selassié.
( 9 a 10 horas de visita).
14º
dia: Lago Tana / Bahar Dar / Nilo Azul
Cedo pela manhã, partida por terra a Bahar
Dar (1802m), uma pequena cidade à beira do lago, situada
no jovem Nilo Azul (aproximadamente uma hora de percurso em veículo).
Nós pretendemos chegar às cataratas de Tissiat onde
as águas crispam-se de tal forma que criam uma espuma espessa,
que parece fumo (daí o seu nome), quando a luz do dia incidirá
sobre a cortina d’água formando um arco íris
acima da nuvem de fumaça. Deixamos o veículo e, caminhando,
percorremos uma trilha íngreme. Descemos por uma passagem
estreita e pedregosa, atravessando uma ponte erigida no século
XV. Enfim, o Nilo Azul nos é revelado, tornando-se para sempre
inesquecível.
Em seguida,
caminhamos pelas vilas dos Agew Amhara e dos Weito, onde seremos
especialmente convidados a participar do cerimonial do café.
Julga-se que o café e o chat seriam estimulantes nativos
domesticados na Etiópia. O chat é vastamente utilizado
no Iêmen. Homens e mulheres separadamente utilizam sua semente,
que já deu muito o que falar no ocidente. O café tem,
entre os etíopes, lugar na tradição mais popular:
"naw do dabo buna". Expressão traduzida como: "o
café é o pão nosso de cada dia". À
tarde, retorno a Bahar Dar para o almoço e visita ao mercado.
15º
dia: Bahar Dar / Adis Abeba
Pela
manhã, traslado ao aeroporto para embarque em breve vôo
com destino a Adis Abeba. Desembarque seguido de recepção
e traslado ao hotel. Tarde livre.
16º
dia: Adis Abeba / Dire Dawa / Harar (1856m)
Pela manhã,
traslado ao aeroporto para embarque com destino a Dire Dawa. Chegada
e recepção seguidas de partida por terra a Harar (54
km – aproximadamente 1h30min). Harar respira o aroma das Arábias,
tal a sua semelhança com um cenário das mil e uma
noites. Muros que abraçam a cidade, grandes portões
de entrada, torres, mercados, mesquitas e ruas estreitas nos transportam
a outras dimensões. O estreito de Bab el Mandeb fica logo
ali acenando à Península Arábica. Se Deus quiser
e o Bush ajudar, nós vamos ao Iêmen. No percurso do
dia: visita a pé pela cidade, incluso a casa do poeta Rimbaud.
À tarde, somos recebidos numa autêntica residência
Adare. À noite, participamos de um excêntrico ritual
dos homens que alimentam as hienas.
17º
dia: Harar / Dire Dawa / Adis Abeba
Pela manhã,
partida por terra diretamente ao aeroporto para embarque a Adis
Abeba. Chegada, recepção e traslado ao hotel. Tarde
livre para atividades independentes.
18º
dia: Adis Abeba
Dia livre para
atividades independentes.
19º
dia: Adis Abeba / Londres / São Paulo
Cedo pela manhã,
traslado ao aeroporto e embarque com destino a Londres. Chegada
em Londres, dia Livre para atividades independentes. Á noite,
comparecimento ao aeroporto e embarque com destino á São
Paulo.
20º
dia: São Paulo
Chegada em Guarulhos,
São Paulo pela manhã.
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