Travessia de Mekele p/ Charkos WukroZaghie Lago Tana Detalhe decorativo nas residências Harar. Cruz em bastão p/ procissão, Axum
  

Acredita-se que, dentro de 30 milhões de anos, a grande falha que rasga o teto da África dividirá o país etíope, deixando a África sem o seu chifre. Enquanto isso, um conjunto de lagos parece se encarregar de impedir a falha de cindir antes do previsto. Até lá, o palco desta geografia deverá preservar uma das etapas mais singulares de nossa humanidade e as marcas de uma época extraordinária. O chamado crescente fértil, nome dado pela forma de um crescente de lua, une as antigas potências do Oriente Próximo às terras da costa do mediterrâneo e à África. Nesta rota de encontro estão resguardados obras de muitos séculos e muitos povos a caminho de um Índico cheio de velas, incenso, mirra, marfim e ouro. E também nela, judaísmo catolicismo, islamismo e influências múltiplas foram absorvidas, mas sobretudo reelaboradas. Ecos de um passado cujo patrimônio ímpar esculpiu a idéia de um deus único. Eis uma Etiópia com vontades e personalidades próprias.

20 DIAS DE VIAGEM

1º dia: São Paulo / Londres
Quarta-feira à tarde, comparecimento ao Aeroporto Internacional de Guarulhos para embarque com destino a Londres.

2º dia: Londres /Adis Abeba
Chegada a Londres pela manhã, com desembarque no terminal Heathrow. Não há traslados na capital. Após breve espera, embarque com destino a Adis Abeba.

3º dia: Adis Abeba (2450m)
Desembarque na capital da Etiópia ás primeiras horas da manhã. Recepção e traslado ao hotel para repouso. Bem no centro do país, num grande vale à sombra do Monte Entotto, Adis Abeba nos convida a mais do que uma rápida visita. A despeito de ser uma das maiores

cidades do continente, resguarda uma atmosfera que mergulha na intimidade, mas convive com sua vocação para a modernidade. Vários são os empreendimentos voltados às experiências culturais: teatros, museus,universidades,livrarias e gastronomia. Juntos, eles celebram a mistura de edificações coloniais, símbolos imperiais, influências soviéticas e arranha-céus. No início da tarde, exploramos parte deste ecletismo nas igrejas e catedrais. Em seguida, conferimos as expressões artísticas nacionais. Entre elas está o Africa Hall, cenário das reuniões dos lideres africanos, onde apreciamos a arte em vitral daquele que é reconhecido como um dos maiores expoentes artísticos no continente: Afewerk Tekle.

4º dia: Adis Abeba
Pela manhã, visita ao Museu Arqueológico, ao Antigo Palácio e à Residência Oficial de Haile Selassie. Ali, Lucy é um clássico, ( achado arqueológico de forma homínida datando uns 3 milhões e 600 mil anos) mas o acervo continua surpreendente em todas as salas que se seguem. A seleção em exibição é impecável e nos possibilita a imersão na diversidade cultural das etnias etíopes. A tarde é reservada à visitação do Merkato - nome herdado da presença e influência italiana - o maior mercado a céu aberto no continente (26 Km²). Sem pressa, entretemo-nos com os cheiros, sabores, línguas e cores do lugar. À noite, degustamos um jantar típico com os menestréis Azmari.

5 º dia: Addis Abeba / Kombolcha (1900m)
Cedo pela manhã, partida por terra para o mercado de Sembete a 370 quilômetros ao norte da capital (aproximadamente 4h30 de viagem). Chegamos ao mercado no horário apropriado e no "Dia D". Sembete é o maior ponto de encontro da etnia Afar na região. Este orgulhoso povo de pastores - guerreiros, também conhecidos por Danakis, estão espalhados num território que compreende Djibuti, Eritréia e Etiópia. Calcula-se que metade da população permanece nômade, mantendo assim sua tradição.

Todos os sábados pela manhã, as tribos dos territórios da região se reúnem em Sembete. Chegam a cavalo, a pé, de mula ou bicicleta. Os povos da montanha trocam mercadorias com os povos do vale: gado, objetos de couro, leite e manteiga por galinhas, ovos, cereais, especiarias. Há os que trazem o sal do deserto para o escambo. Afar, Konsos e Oromos encontram-se no mercado, concretizando uma experiência inesquecível.

O dia do mercado requer o traje a rigor. Os homens vestem o "foutah", uma espécie de sarong, e usam a sua "jile", uma faca curva. As mulheres exibem belas jóias e, a parte delas, trajam uma saia longa. A beleza do povo Afar e seu complexo sistema social são objeto de vivo interesse e aguçada discussão. A condição de que entre os Afar exista liberdade dentro do casamento para experiências com outros parceiros (homens e mulheres) e a manutenção da tradição da excisão são em si uma dura contradição A circuncisão feminina, este imenso sacrifício a que a maioria das mulheres é submetida, revela um intrincado universo. Alterar o quadro e o curso de eventos antiqüíssimos é um movimento lento e delicado, o qual exige mútuo entendimento. Partida por terra para Kombolcha no fim da tarde. Chegada em Kombolcha seguida de alojamento (acomodação básica).

6º e 7º dia: Kombolcha / Lalibela (2630m)
Pela manhã, partida por terra para Lalibela (182 km - 6 horas). Lalibela, de acordo com o sacerdote Francisco Álvares, quer dizer "milagre". Isto porque, desde o berço, recebeu os sinais do escolhido. Uma alusão de que o rei Lalibela, de quem o local tomou o nome, fora, desde seu nascimento, predestinado a reproduzir na Etiópia a construção de um dos mais extraordinários conjuntos de templos. As igrejas somam onze e presume-se que datam do início do século XIII. O mais fascinante é que representam a culminação de um longo itinerário arquitetônico, que vem das construções subterrâneas de Axum e passa pelas quase inacessíveis igrejas do Tigre.

Os textos etíopes dizem que a construção do complexo durou 24 anos. E sua lenda acrescenta que os anjos intervieram ininterruptamente no trabalho noturno. "Em Lalibela, os templos não surgiram com o acréscimo e a junção de materiais. Mas cortando-se, cavando-se, desbastando-se a pedra viva, para nela esculpir a igreja inteira".

Nestes dois dias, fazemos uma imersão no complexo, maravilhados e arrebatados pelo trabalho fantástico e faraônico das construções. Mas é por volta das 7 da manhã do 9º dia, que vamos entrar no transe matutino, evocado pelo som dos tambores e vozes uníssonas das canções, às quais se misturam as benções dos padres, preenchendo todo o ambiente. Acomodação em Hotel.

As igrejas visitadas: Bete Medhane Alem, Bete Mariam, Bete Maskal, Bete Danaghel, Bete Golgotha e Bete Mikael, Bete Giorgis, Bete Amanuel, Bete Markorios, Bete Aba Libanos e Bete Gabriel-Rufael.

8º dia: Lalibela / Sekota / Korem / Mekele (2130m)
Pela manhã partida por terra a Mekele, capital da região denominada Tigre ou Tigray. (aproximadamente 279 km). O percurso é realizado pela estrada marginal num ambiente rural através do topo das montanhas. É uma paisagem dramática, um zig-zag, que desce vales de rios profundos para tornar a subir por vertentes íngremes. Finalmente atingimos Korem, um vasto platô com visões fora deste mundo, que só poderiam ser descritas com superlativos. Fim do dia acomodação em Mekele.

9º dia: Mekele / Tigre / Yeha / Axum (2150m)
Pela manhã, partida por terra a Wukro, nosso destino é a árida região do Tigray, mais precisamente a igreja escavada na rocha de Abraha Atsbha, uma das jóias deste patrimônio histórico que provavelmente compreende o hiato do tempo entre o desenvolvimento arquitetônico e o recrudescer do fervor religioso do conjunto de igrejas e tempos que a elas se seguiram. Após, prosseguimos a Axum. No caminho visitamos o templo da Lua em Yeha. a 50 km de Axum. O templo, com várias inscrições e caracteres sul- arábicos e com pedras muito bem talhadas, testemunha as semelhanças e contatos entre o Iêmen e a Etiópia (245 km - 7 horas ).

Axum foi grande, mas tão grande, que há quem lhe compare aos quatro grandes impérios do mundo antigo. Exageros à parte, o fato é que Axum se tornou, no início da era cristã, um importante empório do marfim e de outros produtos africanos. Dominando os altos planaltos do Tigre e os vales dos rios Mareb e Tacazé, controlava o tráfego do interior para o mar Vermelho. A região recebeu, desde muito cedo, a influência iemenita pelo mar Vermelho, por estar muito próxima ao grande porto de Adulis. Mais tarde, esta influência tornou-se ainda maior com os entrepostos e colonos vindos da Arábia do sul, cujo regresso era sempre adiado diante das oportunidades oferecidas pela nova terra. Na condição de estrangeiros, iam transmitindo sua cultura, crenças e língua, entre outros costumes. As altas estelas que se espalham pelo norte do país, têm em suas bases um altar e uma espécie de bacia para conter o sangue ou o vinho dos sacrifícios para honrar as divindades da Arábia do Sul que foram incorporadas às divindades locais. Belas pela leveza de sua verticalidade, vê-se, no topo de algumas, o disco em forma de crescente, cujo símbolo é ligado a Marem, o deus do céu, da guerra, o deus da família real, o pai divino do soberano de Axum.

10º dia: Axum (2150m)
Dia dedicado à exploração de Axum. No percurso, estão: a grande estela de Ezana; a Igreja de Santa Maria de Sion, de onde pode-se ver alguns socos de pedra, onde, conforme a tradição, reunia-se o conselho dos notáveis; o Santuário Guardião da "Arca da Aliança", que segundo o Kebra Negast, foi roubada pelo exército de Menelique, filho de Salomão e da venerada Rainha de Sabá, quando Menelique retornava de Jerusalém, onde teria ido para conhecer o pai e sagrar-se rei da Etiópia; The Coronation Yard; as ruínas do Castelo de Dongour, cuja tradição é atribuída à adorável rainha de Sabá; o Palácio e a Necrópole do rei.

Costuma-se vincular o início do cristianismo na Etiópia ao nome de Ezana, um dos monarcas de Axum. Mas a fé cristã dos estrangeiros percorreu um longo caminho antes de se tornar o símbolo da unidade etíope. As inspirações religiosas e culturais velejaram por mares muito diversos, à mercê da órbita do comércio cada vez mais sofisticado, desde quando se fez uso apropriado dos ventos de monção e das esferas do poder regulador dos mares. Assim, a medida que o controle do Mar Vermelho mudava de mãos ou os centros de decisão se deslocavam, o norte etíope também trasladava o seu centro de inspirações como era conveniente a uma das grandes pontas da rede comercial. Do Suez ate a China, chegavam pelas velas dos barcos e através do convívio nos portos as divindades egípcias, greco-romanas, persas e bramânicas, entre Jeová, mitra, Buda e outras. Da simpatia à aceitação e conversão dos monarcas de Axum até a conquista do povo pela nova fé, passaram-se longos períodos. E foi apenas entre os séculos V ou VI, com a chegada de missionários sírios ou da própria Arábia - entre eles os Nove Santos, que de fato a conversão se tornou ampla. Com a época da conversão propriamente dita, coincide o instante histórico em que se tinham em alta estima os exemplos dos ascetas, na sua forma solitária, isolados do mundo e afastados do comum da vida, próprias de Bizâncio e dos ritos cristãos orientais. A partir deste momento e por mais de mil anos, as igrejas seriam então erigidas nas montanhas, ocultando-se nas cavernas, muitas vezes por sobre templos e crenças mais antigas. É, neste contexto, que as muitas igrejas do norte etíope ganham todo o sentido.

11º dia: Axum / Parque Nacional Semien / Gondar
Pela manhã partida por terra ao parque nacional Semien. A paisagem do dia é cheia de emoção. A região norte foi dramaticamente trabalhada pela erosão na grande falha da África, produzindo fraturas num terreno que ganha altitudes superiores aos 4.000 mil metros e precipícios com mais de 1.500 metros de profundidade Estamos no teto da África, numa das mais espetaculares geografias do continente. Após, partida por terra á Gondar. Chegada, acomodação (311 km - 8 horas).

12º dia: Gondar (2000m)
Dia dedicado à exploração de Gondar, também conhecida como a Camelot africana, mergulhada em seus castelos, do rei Fasiladas, palácios, mosteiros medievais marcados pelas influências hindus, árabes e pelo estilo barroco trazido a Gondar pelos missionários jesuítas portugueses. Após prosseguimos a Wolleka para encontro com a comunidade dos judeus etíopes. O norte etíope havia bebido intensamente do sentir monoteísta e da religião mosaica, assim como a Arábia do Sul pré-islamica, o Cáucaso, e a África do Norte. Os falachas, judeus etíopes precocemente estabelecidos ao norte do lago Tana, em Begender, Semién e Dembija, teriam sido os responsáveis pela preservação da cultura judaica na Etiópia. Acredita-se serem eles aqueles que não seguiram Moisés e rumaram na direção oposta. Outros os vêem como os descendentes dos camaradas de Menelique, filho da união entre a rainha de Sabá e do Rei Salomão. Outros ainda os têm como produto da diáspora na destruição do primeiro templo. Hoje a comunidade dos falasha remanescente é pouco expressiva diante das operações de resgate, iniciadas nos anos 80, pela comunidade israelita.

13º dia: Gondar / Lago Tana
Pela manhã, partida para Gorgora (66 km - 1h30min) Lá, de barco, cruzamos o lago Tana ,vamos ao encontro de algumas dos mais belas igrejas e mosteiros do país, construídas nas várias ilhotas espelhadas pela superfície do lago. Parte deles acessíveis inclusive às mulheres. O interesse deste conjunto reside principalmente nas pinturas que os cobrem, cujo tema é freqüentemente ao santo a quem o mosteiro é dedicado. Além dos edifícios, existe todo um acervo de coroas, cruzes, paramentos, adornos e, sobretudo, os manuscritos. Todo este acervo manuseado diariamente. No percurso, estão Beta Giorgis e Beta Maryam e a grande Ura Khidane Meret. E no centro do lago, podemos apreciar ainda a ilha Dek e Narga Selassié. ( 9 a 10 horas de visita).

14º dia: Lago Tana / Bahar Dar / Nilo Azul
Cedo pela manhã, partida por terra a Bahar Dar (1802m), uma pequena cidade à beira do lago, situada no jovem Nilo Azul (aproximadamente uma hora de percurso em veículo). Nós pretendemos chegar às cataratas de Tissiat onde as águas crispam-se de tal forma que criam uma espuma espessa, que parece fumo (daí o seu nome), quando a luz do dia incidirá sobre a cortina d’água formando um arco íris acima da nuvem de fumaça. Deixamos o veículo e, caminhando, percorremos uma trilha íngreme. Descemos por uma passagem estreita e pedregosa, atravessando uma ponte erigida no século XV. Enfim, o Nilo Azul nos é revelado, tornando-se para sempre inesquecível.

Em seguida, caminhamos pelas vilas dos Agew Amhara e dos Weito, onde seremos especialmente convidados a participar do cerimonial do café. Julga-se que o café e o chat seriam estimulantes nativos domesticados na Etiópia. O chat é vastamente utilizado no Iêmen. Homens e mulheres separadamente utilizam sua semente, que já deu muito o que falar no ocidente. O café tem, entre os etíopes, lugar na tradição mais popular: "naw do dabo buna". Expressão traduzida como: "o café é o pão nosso de cada dia". À tarde, retorno a Bahar Dar para o almoço e visita ao mercado.

15º dia: Bahar Dar / Adis Abeba
Pela manhã, traslado ao aeroporto para embarque em breve vôo com destino a Adis Abeba. Desembarque seguido de recepção e traslado ao hotel. Tarde livre.

16º dia: Adis Abeba / Dire Dawa / Harar (1856m)
Pela manhã, traslado ao aeroporto para embarque com destino a Dire Dawa. Chegada e recepção seguidas de partida por terra a Harar (54 km – aproximadamente 1h30min). Harar respira o aroma das Arábias, tal a sua semelhança com um cenário das mil e uma noites. Muros que abraçam a cidade, grandes portões de entrada, torres, mercados, mesquitas e ruas estreitas nos transportam a outras dimensões. O estreito de Bab el Mandeb fica logo ali acenando à Península Arábica. Se Deus quiser e o Bush ajudar, nós vamos ao Iêmen. No percurso do dia: visita a pé pela cidade, incluso a casa do poeta Rimbaud. À tarde, somos recebidos numa autêntica residência Adare. À noite, participamos de um excêntrico ritual dos homens que alimentam as hienas.

17º dia: Harar / Dire Dawa / Adis Abeba
Pela manhã, partida por terra diretamente ao aeroporto para embarque a Adis Abeba. Chegada, recepção e traslado ao hotel. Tarde livre para atividades independentes.

18º dia: Adis Abeba
Dia livre para atividades independentes.

19º dia: Adis Abeba / Londres / São Paulo
Cedo pela manhã, traslado ao aeroporto e embarque com destino a Londres. Chegada em Londres, dia Livre para atividades independentes. Á noite, comparecimento ao aeroporto e embarque com destino á São Paulo.

20º dia: São Paulo
Chegada em Guarulhos, São Paulo pela manhã.

Aguarde...em breve !