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O
templo que surge sobre uma colina da região central da ilha
de Java, na Indonésia, na Planície de Kedu, é uma construção
piramidal de planta quadrangular, cujos lados, na base, medem
170 m de comprimento . Da parte superior, sobe-se para o cimo
do edifício através de uma série de escalinatas, até ser alcançada
a cúpula do Stupa Central ( a quase 39 m de altura). O templo,
inteiramente construído em tranquito, uma rocha de natureza
vulcânica bastante comum em Java, segue, na sua estrutura geral,
um esquema típicamente budista - denominado mandala ou mandara,
segundo o qual os fiéis chegam ao centro do santuário depois
de terem percorrido um longo caminho adornado de baixos- relevos. |
Para
se chegar ao templo, a partir da Jacarta, atravessa-se um campo
exuberante, onde os elementos locais (ervas, flores, árvores) parecem
representar a capacidade geradora e fecunda da natureza. Um campo
cuja opulência e graça trazem à memória a idéia do jardim do paraíso.
À
medida em que nos aproximamos do complexo templário, esta sensação
de opulência se desloca para o edifício religioso, ou melhor, para
o conjunto de edifícios: um templo - montanha. Isolado na planície
imensa, sobressai um pequeno relevo: a montanha sagrada, como um
pequeno universo, desligado do mundo plano e uniforme que o rodeia
e que começa e acaba em si mesmo. Os antigos sabiam disto e foi
precisamente por esta razão que escolheram o lugar para a sede de
um templo.
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Não um
templo com salas, edifícios e espaços com funções determinadas,
Borobudur é a sontuosa, racional, elaboradíssima e simbólica
cobertura de uma colina, um templo- montanha. Ou seja, uma
colina já existente, que os javaneses revestiram com uma arquitetura
- melhor falar de uma arquitetura, a fim de obter a sua versão
simbólica da montanha cósmica: o monte Meru, a lendária mansão
dos deuses.
Não é
esta a única explicação simbólica dada a Borobudur. Outra,
enraizada na tradição, assegura que o imenso templo, construído
em estratos concêntricos, que vão diminuindo de diâmetro na
medida em que se sobe até a Stupa Central, simboliza uma flor
de lotus - a flor sagrada de Buda - que flutua sobre as águas
de um plácido lago.
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Surpreendentes
são a envergadura deste edifício e sua obra. Para se chegar da planície
aos quase 40 m da cúpula central, construíram -se nove terraços
conjuntos. O primeiro, enorme, circunda a própria base da colina,
impedido-a de cair sobre o peso imenso e evitando a corrosão pelos
elementos naturais, com a conseqüente ruína de todo o conjunto.
Não
apenas as proporções são majestosas, como majestoso é o trabalho
de marchetaria em pedra. Tudo para tratar com fidelidade um percurso
- o caminho adequado para a viagem da alma. Em Borobudur, a visão
cósmica universal aparece geometricamente esquematizada. O convite
à meditação está expresso na observação e no percurso de suas formas
pela própria estrutura do templo.
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