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A
moradia desempenha um papel muito importante, significando
proteção.Nas sociedades modernas, as casas, o piso, ou
a decoração retratam o caráter, o estilo de vida e, finalmente,
as idéias políticas de seus moradores. Em muitas sociedades
tradicionais a posição da casa é, ainda, uma reflexão
da própria idéia que se tem do cosmos.
Desta
forma, a tríade do macrocosmo é simbolizada na construção
da casa :o mundo celestial, lugar dos deuses e de seus
antepassados, o mundo dos homens, e o mundo subterrâneo,
onde habitam "demônios e espíritos" .
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| Partindo
desta idéia, as casas nas sociedades tradicionais têm um significado
místico, refletido no cerimonial da construção das mesmas.
O conteúdo destas celebrações põe singularidades cósmicas
de formas simbólicas. Além disso, a casa reflete ao mesmo
tempo a estrutura da sociedade: aponta a posição social de
seus moradores e as relações familiares entre seus membros.
Há normas claras sobre quem ocupa qual espaço da habitação.
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Ilustração de longhouse |
Infelizmente
a vida desta habitações sobre os trópicos é curta, tendo em vista
o material utilizado em sua fundação: madeira, folhas de palmeira
para os telhados e outros afins. A forma típica de construções
no sudeste asiático é feita sobre palafitas, tanto na Indonésia
quanto por exemplo no Norte, Sumatra, Kalimantan, Sulawesi e Vietnã
- o que demonstra que essa prática data desde tempos pré-históricos,
como na Tailândia, Laos e Vietnã.

Ilustração de longhouse
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Entre
as casas sobre palafitas mais famosas da Indonésia estão as
dos dayak no Borneo. Os dayak formam parte dos habitantes
primitivos do Borneo. Aí as casas comunais se constróem sobre
palafitas, feitas geralmente de madeira de hierro (ferro).
Nelas, as paredes de árvores e o solo de tábuas de madeira
se unem umas às outras. |
O comprimento
das casas varia de região a região. Embora existam registros de
casas comunais com mais de 110 m de largura, hoje medem entre
10 e 17 m. Uma casa comunal está sempre situada junto a um rio,
para viabilizar o acesso à água sem dificuldades. Anteriormente
se fundava uma casa comunal e só então se formava um povoado.
| Essas
casas comunais ofereciam a seus moradores proteção contra
animais selvagens e inimigos das proximidades, assim como
contra as subidas das marés e, acredita-se, contra os mosquitos
que provocam malária, porque não poderiam voar tão alto. |

Ilustração de longhouse |
No Borneo,
a casa comunal é um centro social e ritual. Constitui um núcleo
para os trabalhadores, onde são celebrados os rituais da comunidade.
A casa comunal dos Iban está dividida em diferentes recintos separados
entre si (Bilik). Nos bilik, vivem de duas a três gerações desde
os avós até os netos .Cada bilik constitui a menor unidade social
e econômica dos Iban - completamente separados um dos outros.Não
há um fundo de dinheiro comum nem tão pouco uma manutenção comum.
Geralmente, casa comunal é fundada por um grupo de parentes determinados,
ou seja, os moradores são aparentados em si, em 2º e 3 º grau.

Ilustração de longhouse
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À
frente dos bilik existe um corredor (galeria). Esta é a área
em comum do povoado. O espaço aberto a frente de cada bilik
(ruai) pertence a cada uma destas famílias. O ruai representa
o lugar da vida comunitária. É interessante ressaltar que,
apesar de ser um espaço público, o ruai está associado à espera
masculina, enquanto os bilik, à espera feminina e privada. |
Em cada casa
comunal existe um pilar central que é o primeiro a ser assentado
na estrutura. Ele diz respeito aos antepassados dos fundadores
e tem um significado religioso. Está, por isso, no centro da casa
e é considerado o elemento de união entre o mundo celestial e
o mundo subterrâneo. Este pilar também marca o lugar onde a comunidade
faz os seus mais importantes cerimoniais.
Ou seja, enquanto
estão nos bilik os moradores cuidam de seus enfermos e fazem suas
preces de proteção àqueles que viajam. Já nos ruais, são feitas
as cerimônias que concernem a todos da comunidade, como: festas
para agradecimento das colheitas, celebração dos nascimentos,
cerimonias funerárias.
O
futuro da casa comunal
A casa comunal
sofreu ao longo das últimas décadas mudanças significativas. Hoje,
embarcações típicas motorizadas têm acesso mais fácil às longhouses.
E a visitação, embora procedida de rituais, torna-se frequente.
A interação
de culturas estrangeiras e mesmo a modificação de vida dos moradores
que deixaram as casas comunais, fixando-se nas residências nos
centros urbanos, influencia as comunidades. Suas necessidade são
questionadas e sua arquitetura é transformada por materiais mais
resistentes, que acabam substituindo a matéria prima original.
Rituais sazonais
passam a ser realizados fora de seus primitivos calendários. Os
hábitos implantados para saciar a curiosidade dos visitantes,
ironicamente, servem para reforçar tradições, que, eventualmente,
correm o risco de se tornarem "artificiais".
Entretanto,
a visita de estrangeiros contribui de forma também significativa
para a fixação dos seus moradores na aldeia, uma vez que vem acompanhada
de presentes e donativos, oferecidos aos chefes da casa comunal
e na compra do artesanato produzido pela comunidade.