o espelho dágua beleza cabocla negro e o reflexo de suas águasa orla fluvial de Novo Airãodetalhe da voadeira  no rio Negro
    

O grande repouso das chuvas; os dois maiores arquipélagos fluviais do planeta e a maior bacia hidrográfica; centenas de ilhas intactas, que surgem e desaparecem à mercê das estações; o pulmão do planeta...Tudo isso é nosso. De nossa inteira responsabilidade.

O Negro nasce na região pré-andina da Colômbia e corre ao encontro dos Solimões para formar o rio Amazonas. Seus 1700 km de curso, poderia ser explicado como um "caleidoscópio sem lógica". A sensação de navegar por suas águas é uma variante constante, um ciclo de humores, em que tudo depende de tudo e de nada. Traduzindo para a pratica da navegação são labirintos e paranás, por onde se precisa, a cada viagem, buscar os caminhos possíveis sempre mutantes. No percurso, GPS, Sonar e radar são bons aliados, porém, algumas vezes, insuficientes para desvendar os mistérios de um rio que perfaz uma trajetória sinuosa e insinuante, que - talvez intencionalmente - não nos deixa partir antes da hora ou nos convida a fincar raízes no lugar.
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15 DIAS DE VIAGEM
1º dia: São Paulo / Manaus
Pela manhã, comparecimento ao aeroporto de Guarulhos para embarque com destino a Manaus. Chegada, traslado e acomodação. A capital do Amazonas localizada à margem esquerda do rio Negro, teve origem em um pequeno arraial formado em torno da fortaleza de São José do Rio Negro, mas o apogeu da capital aconteceu com o "achado", por parte dos estrangeiros do látex.
Elevado à categoria de vila com o nome de Manaós, em homenagem à tribo de mesma denominação que se recusava a ser dominada pelos portugueses. Após um breve descanso nós vamos explorar alguns dos elementos da capital: o mercado municipal e o teatro Amazonas.


2º dia: Manaus / Arquipélago de Anavilhanas
 
Nossa embarcação é toda de madeira,
resgua
rdando a locomoção tradicional, mas
  notadamente adaptada para ter como tripulantes uma clientela diferenciada: nós, os viajantes. O nosso barco casa foi adaptado e projetado para atender ao conceito e às necessidades de uma empresa de viagens que tem como objetivo promover o máximo de proximidade e intimidade nos destinos por ela concebidos, mas priorizando, ao mesmo tempo, conforto, segurança e estilo. Está à disposição dos viajantes uma tripulação diferenciada para atendimento a bordo e realização das atividades planejadas; cabina com toalete interno, chuveiro e sanitário, lençóis e fronhas, trocados durante a navegação; limpeza e organização da cabina provido pelo marinheiro de convés; área de lazer; pontos de mergulho e observação; mapas e livros; varas tradicionais de pescaria; colete salva-vidas, entre outros. Gostaríamos de destacar a atenção necessária em relação ao uso consciente da água nos banhos – por favor, breves – e ao uso dos sanitários que são compartilhados; da mesma forma, cuidem de seus pertences pessoais nas áreas de lazer, pois o vento, agradável companheiro, está sempre presente e nem sempre dá avisos para que possamos recolher vários objetos que saem em vôo alado, muitas vezes sem poderem ser recuperados.
O trajeto do dia começa com uma despretensiosa e breve sabatina amazônica. Debruçamo-nos sobre os mapas e somos introduzidos a informações sobre fauna, flora, bacias, igapós, igarapés, entre outros. Desembarcamos em Nossa Senhora do perpétuo Socorro, no lago Acajatuba e exploramos a comunidade. O primeiro pôr do sol no Negro, jantar a bordo. A ancoragem para o pernoite é no meio do Arquipélago de Anavilhanas.

3º dia: Anavilhanas / Novo Airão
Para aqueles que acordam cedo, há os sons estridentes que cortam os ares, o balé das araras-azuis e o vôo dos papagaios. Após o café da manhã, deixamos a nave-mãe para nos emaranharmos no lago do Folharal e fazer o mergulho com bóias no rio. O nome do lago se deve ao acúmulo de folhas sobre as águas. A vegetação que se desgarra das margens pela ação das inundações paira sobre as águas formando jardins naturais de ikebanas. Após, retorno a nave-mãe. Prosseguimos viagem a Novo Airão. À chegada, mergulho com os botos cor de rosa. Em seguida, almoço no restaurante flutuante. Conhecemos Marilda, proprietária do melhor restaurante de Novo

Airão (que saudades do pirão...) e protetora de vinte botos cor de rosa que visitam, diariamente, os fundos do seu restaurante flutuante. Íntimos de Marilda, eles se deixam entreter e alimentar pelos turistas. Após, vamos explorar Novo Airão de bicicleta (em excelentes condições); quem não quiser, pode nos acompanhar em motocicleta. Novo Airão é uma cidade muito agradável e, a propósito, é modelo de bons projetos sociais, culturais e ambientais. O programa Funbio conscientiza a comunidade envolvida com o extrativismo da madeira e da fibra de palmeira em prol da preservação do patrimônio natural e do melhor manejo de matérias. O pôr do sol é no flutuante Bonfim. Azul que se faz rosado, rosa que se faz violáceo, lilás que se expande em alaranjado, laranja que se faz dourado, lua que é quase cheia.

4º dia: Novo Airão / Rio Baependi
Pela manhã, partida para a Bacia do Rio Baependi. Ancoragem no flutuante do Ibama, na entrada do Baependi para identificação da tripulação e da embarcação. Almoço a bordo. Após, deixamos a nave-mãe para explorarmos os lagos da região e as águas vermelhas do rio Baependi. Visita ao Sítio Sussuarana. À noite, saímos para a observação noturna da fauna local.

5º dia: Igarapé do Ipiranga
Pela manhã, deixamos a nave-mãe para explorarmos o igarapé do Ipiranga, onde fazemos a viagem das imagens. As águas reproduzem na profundidade o que se vê à superfície. De tal forma é a miragem e tão perfeita a integração, que se pode atingir um ângulo totalmente novo de visão, de um virtualismo único. Banho no igarapé e início da canoagem curso acima. Dependendo do nível das águas do igarapé (à mercê das estações e precipitações), será necessário descermos da voadeira e caminharmos por entre a vegetação para novamente embarcarmos em direção do local de nosso pernoite. Parada para o almoço, enquanto a equipe monta o acampamento. Após breve descanso, canoagem pela parte de terra firme do igarapé. Cada curva guarda o silêncio... Após o pôr do sol, retorno ao acampamento. Pernoite na selva em torno à fogueira acesa durante toda noite. Dormir embalado em muitos sons é uma constante. A noite nunca é silenciosa e muito menos solitária. A sonoplastia é que varia. Durante o dia, as aves. Fim da tarde, a dança dos bacuraus. A noite é dos ritualísticos macacos - guaribas, dos botos e jacarés.


6 º dia: Igarapé do Ipiranga / Cachoeiras do Ipiranga / Parque nacional do Jaú
Acordamos em plena selva e vemos o espetáculo do raiar do dia, tomamos o café da manhã e, em canoa, prosseguimos às cachoeiras do Alto Ipiranga. Banho nas cachoeiras. À tarde, descemos o igarapé, embarcamos na nossa nave-mãe e navegamos até o Parque Nacional do Jaú. Pernoite no lago dos botos, em frente ao posto do Ibama.
* Aqueles que navegam cinco dias, após o café da manhã, partem em voadeira para Novo Airão (2 horas). De Novo Airão, seguem para Manaus ( 9 horas). Lá, são recebidos por nossos representantes e trasladados ao aeroporto para embarque de retorno a São Paulo.

7º dia: Parque Nacional do Jaú / Rio Carabinani / Seringalzinho
Navegamos pelo Rio Jaú até a boca do Rio Carabinani (afluente do Jaú), desembarcamos e, em voadeira, exploramos o curso das quedas. O dia é reservado às cachoeiras e aos banhos. Após, retorno ao barco. Prosseguimos viagem à comunidade de Seringalzinho, no rio Jaú. A população cabocla, algumas vezes, mal saída das aldeias indígenas, produz continuamente a mandioca. Se a estação permitir vemos processos de lavagem, secagem e moageml. À noite, atividades de focagem noturna.

8º dia: Seringalzinho / rio Jaú / comunidade ribeirinha
Café da manhã na comunidade de Seringalzinho. Após, partida para a cachoeira do Jaú, rio acima. Dependendo do nível das águas a cachoeira pode estar encoberta, então temos banho de rio. Após, caminhada na mata e lanche sob a frondosa sombra da maior espécie de árvore da Amazônia: a Samaúma. Fim do dia, retorno à base do Ibama. À noite, exploramos a região no encalço dos macacos guaribas.


9 dia: Jaú / Moura / Boca do Rio Branco / comunidade de Panacarica
Pela manhã, navegamos à Vila de Moura, na margem esquerda do Rio Negro. À chegada, horário livre para exploração da vila. Abastecimento da nave-mãe e almoço. Após, partimos para a Boca do Rio Branco e, navegando um pouco mais, atingimos o ponto mais estreito do rio: a passagem pelo pedral do Guariba, cruzamento do estado do Amazonas com o estado de Roraima. Logo após, o encontro das águas negras com as águas brancas. Ancoragem do barco-mãe e mergulho com máscaras no encontro das águas. Após o mergulho, retorno ao barco-mãe e partida para a comunidade do Panacarica.

O Negro é uma trajetória que eterniza o tempo e seus elementos. Suas águas negras são matizes do ocre - âmbar aos tons ferrugem. O translúcido é o resultado da luz que atravessa dois metros e meio da profundidade do rio, num corpo quase sem resistências, que, portanto, não reluz. As rochas das regiões da nascente por serem muito antigas - pré-andinas - produzem pouco sedimentos, o que reduz, dramaticamente, a fartura de vida nas águas. Tal fato inibiu o plantio e desmotivou a ocupação da área, mas garantiu sua preservação. A acidez afasta as criaturas aladas, populares nas águas barrentas, como as águas do rio Solimões, ditas claras pela classificação de Secchi. Reduzir a fartura não significa ausência, mas seleção. As espécies que habitam o Negro são sofisticadas, adaptadas ao meio em questão. O peixe não falta. Trocando em miúdos: o rio Negro é uma benção e sua destinação turística é uma vocação nata.

10º dia: Panacarica / Carvoeiro / Mariuá - ilha da Colaca
Pela manhã, nosso destino é a vila de Carvoeiro. Desembarcamos numa das mais charmosas comunidades do médio Negro. Temos tempo para caminhar pelas ruas da vila, visitar a igreja de Santo Alberto, o boteco do seu Pedro e conversar com a gente do lugar. Após, navegamos à Ilha da Coloca, já no arquipélago de Mariuá. Na ilha, montamos acampamento e aguardamos a chegada de dezenas de araras e papagaios que vêm pousar nas palmeiras de Jauari. Pôr do sol na ilha.

11º dia: Explorando Mariuá
Pela manhã, deixamos a Ilha da Colaca e embarcamos para dentro do labirinto de ilhas que formam o arquipélago. O maior arquipélago fluvial do planeta, Mariuá, apenas recentemente identificado, abrange cerca de 700 ilhas. Em virtude de sua distância em relação à metrópole Manaus, é um refúgio ecológico e um habitat que se manteve preservado e, em muitos trechos, inexplorado. Em diversos momentos, a sensação é de que estamos pisando em terras selvagens e desabitadas, diante de aves perturbadas pela presença não anunciada e que se sentem ameaçadas.

12º dia: Mariuá / Barcelos
Pela manhã, partimos para a micro - região ás ilhas: Bixiga, Preguiça e Colima.
Já próximos de nosso destino final (trinta minutos de Barcelos), o comandante pede ao marinheiro de convés que desça à voadeira e ganhe a dianteira. Desaparecido o nosso barco-casa no horizonte, estaremos diante daquele imenso conjunto de todos os elementos: a placidez das águas, o murmurinho das aves, a cobertura vegetal exuberante. O mundo está no lugar, cada coisa em perfeito equilíbrio. Retornamos em voadeira à nave-mãe. Avistamos a cidade Barcelos e as escadarias de sua igreja ao pôr do sol. É hora do desembarque. "Algumas coisas nesta vida duram apenas o tempo necessário para se tornarem inesquecíveis" Traslado a pousada.

13º dia: Barcelos
Pela manhã, exploramos a pé a cidade. Conhecemos as frutas do Sítio Santo Alberto, o projeto Piaba, a comunidade de Piloto, as praias na margem direita do rio, a estrada dos Caués e suas pontes inusitadas. À tarde, temos tempo para sentar e ver a vida passar.

14º dia: Barcelos / Manaus / São Paulo
De manhã, traslado ao aeroporto para embarque no vôo com destino a Manaus. À chegada, recepção e traslado ao Hotel. Tarde livre para explorações independentes. À noite, traslado ao aeroporto para embarque com destino a São Paulo.

15º dia: São Paulo
Chegada pela manhã em São Paulo.

Aguarde...em breve !